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Criança

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Para lá do possível são os meus sonhos.
Pelo menos, essa é a minha convicção.
Os métodos fazem da vida uma anedota
E a estupidez faz-nos crer que não.

Ainda me sinto desrespeitado, troçado,
Como uma pequena criança que foi abandonada pelos destinados a amá-la.
E deus bem viu isso e fingiu ablepsia,
Deixando a criança ao vento da sorte...

(Ouve bem as minhas preces, é o que me resta:
Fiz por abandonar o ciclo de pessoa que, pouco a pouco,
Me foi retirando o prazer que eu tinha de viver e de sonhar;
Passei de uma mansão de boas sensações por explorar
Para uma assombrada mansarda decadente e obscura...
E o que faço, agora? O preço a pagar é a vida.)

A criança continuou, em cais perdido, eternamente.
Foi a infeliz que foi deixada e todos a deixaram ir, mesmo sabendo que não estava certo.
Haverá outra e esse é o método adoptado para a constante dor
Que se tem vindo na terra a propagar...

Álvaro Machado - 08:26 - 23-09-2013

Momento solitário

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Insignificante

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Do meu quarto perscruto
Infinito de toda a sensação
- Humana, sabendo, ou não...

Colide como se não nos quisesse ver.
Estonteia como se não existíssemos sequer.
Dói como uma alma que se torna incapaz por egoísmo do destino...

Todo o mundo, agora, se encurta às mentes que homenageiam a bênção.
(Talvez pouco para o que sinto...)

E todo o mundo se torna pouco entre mim.
Muito mais do que o mundo é o que eu sinto!

Álvaro Machado - 23:30 - 17-09-2013

VI

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Em memória de: Eupátor Dionísio

Hei-de voltar…
De noite é ódio, agora.
Jurei-me vingar:
Tenho honra.

Hei-de sagrar
Meu corpo como só eu sei.
Por momentos está por se consagrar
Ilha vazia, inteiro rei.

Hei-de superar
A dor que me infligiram…
Inda sou pequeno e estou a chorar.
Vocês nem sabem quanto me magoaram…

Serei o melhor quando voltar.
Não terei piedade com quem não teve comigo.
Serei o vosso pior inimigo
Quando perto de vós chegar.

Álvaro Machado – 13:01 – 14-09-2013

Índole

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Se eu sou como sou,
Eu não desejo ser.

Deixo a escorrer
Como água que molhou.

Tudo se sonha,
Porque tudo é sonho.

É uma alta montanha
Num sítio enfadonho.

Isso é ser assim,
E não crer ser assim.

Se contesto, não consinto.
Se vou é porque sinto.

O espírito perpetua a escuridão.
E o mar é imenso. Uma vastidão.

O tempo voa, é tarde.
Um dia encontrar-te-ei, cara minha metade.

Álvaro Machado – 12-09-2013

Sem esforço

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Vê como tão bem se vive
Com o sol a fazer-nos pensar
Se existimos ou se não.

Vê como os montes continuam altos
Com as árvores a fazer-nos respirar
A vida se ela existe ou se não.

Eu sou um rapaz que gosta de viver
E que só quer ficar por aqui a divagar
Como se isso fosse concebível.

Quero acreditar que sim. Estou sentado a escrever
E a olhar para o sol que me cega
Quando penso em coisas boas...

Quero-te a ti em qualquer tarde impossível.
Isso é a minha vontade neste momento.
Não quero mais nada, vida...

Álvaro Machado - 14:27 - 12-09-2013

Absinto.

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Não conheço o meu absinto
Senão quando estás presente.
Aí, como quero, sinto
Como ninguém sente.

Fico cambaleante para o sentir.
Fora do círculo admissível na corte.
É o que dá quando se supera e se sente emergir
Transcendente e forte.

Não tem premonições.
Atinge-nos como um relâmpago.
E o ser comum vive de ocasiões.
Eu vivo do que divago.

(Disse um barqueiro qualquer.)

Álvaro Machado - 19:50 - 11-09-2013