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Inconstante, irreal.

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Bebemos como se isso não nos fizesse sentir saudade.
E eu deixo-te entrar sobre a ilusão que existes e estás comigo
Num intervalo de tempo qualquer...
(Mas a vida dói-me, nada disto é real...)

E como entraste, o sentimento que me alenta a alma
Parece reluzir por uns instantes efémeros...
Entra dentro da minha casa, tanto é de um como de outro,
Só peço que avises quando dela saíres...

(Entretanto, chovia com intensidade, tanto que me fez contemplar,
E chamei-a a atenção para esse poder que a natureza tem,
Transcendente de qualquer explicação que queiram dar;
Mas ela não me ouviu, não prestou atenção a nada...)

Não adianta. O espaço que te concebi - de intemporal -
Nos não aproximou, nos não fez chegar à necessidade de ligação,
Nos não fez mais que fazer da nossa relação ridícula demais para existir...

Por isso, continuarei a beber. Tenho pouca vontade de viver,
Tenho muita mágoa para querer continuar a viver...
Chove. E a casa de chocalhos teve muita intensidade para agora se sentir só.
Derrocou num ins…

Lei Fatal.

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Sou um servo das leis fatais,
Das quais padeço sem saber porquê.
A travessia é dolorosa, não sei por onde vais,
Nem sei como a vida se vê...

É fulgente, é desfocada?
Alegra-nos, entristece-nos? O que faz?
Não sei, sou cego; não tenho amigos, nem família.
Tenho sorte por sentir o vento...

E tenho sorte por supor que o céu existe,
Que Deus nos criou, que isto mesmo se chama viver...
Parece-me que o amor também está neste mundo,
Mas ainda não o conheci...

Noite adentro, agora, e a espera é agonizante.
Continuo sem saber nada...
E o universo inteiro é uma dissimilação
Do sentimento galáctico...

Álvaro Machado - 22:56 - 02-10-2013

The Anarchist

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Anarquia! Respiro-a entre cada intervalo de tempo
Que Deus me impingiu, pois nem sequer concebido foi.
Foi impingido como um gládio doloroso pelas costas do inimigo...
Anarquia! Viva a ti, ó anarquia!

Mister Winston - 21:17 - 01-10-2013

Divino

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Tenho uma vida incompleta, mas uma luta constante
Por ideais e utopias que me alentam a alma...
Não me rejo pelas normas, como seria normal,
E a minha liberdade não está à venda.

Vivo, apenas. Vivo na irreverência.
Roço o meu sentimento no oculto deleite
Que nem Deus, nem Satanás conhecem.
Nem está disposto para ninguém...

Só meu, novo paraíso de Éden,
Ascenção onírica e ébria...
Saudade de ter uma vida decente...
Nada, ninguém...

Álvaro Machado - 21:10 - 01-10-2013

O perdão nunca perdoado

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Chove lá - do outro lado da rua imaginária -
Como se isto tudo fosse um sonho.
E eu choro. É o meu coração quem eu perscruto,
Despedaçado, sozinho, intolerado...

A todos vocês, peço perdão pelos meus pecados.
Pecados de quem aceitou a liberdade concebida como ilusão,
De quem se refugiu nela entontecendo-se para doer menos,
De quem naufragou antes do barco chegar ao porto...

«Passou a vida. Estás morto, és meu servo agora»
Disse-o uma voz que no momento a seguir sucumbiu
Num nevoeiro distante e saudoso, como aliás é todo o significado
De ter vida...

Álvaro Machado - 20:57 - 01-10-2013

Desencanto em viagem

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Caminha desencantada,
Por ali se vai deixando ir
E a sorte venha, se tiver que vir
Ou senão que se dê por terminada.

Chove na estação…
E entre os carris eu desejo estar do lado de lá,
(Talvez seja mais feliz do que cá…)
Quem mo pede é o meu coração…

E, por entre o céu cinzento,
O meu ser quer estar na praia.
Por lá me têm como barqueiro com talento
E eu não quero que isso me saia.

Álvaro Machado - 14:58 - 29-09-2013

Um fim...

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Entreguei-me precocemente ao abismo
Deixei que o descontrolo entrasse em mim
Apenas e só porque nunca tinha sofrido assim
Se não fosse tamanho o cismo!

Perdi a minha alma num recôndito sombrio
Que ainda me dói pela tamanha perdição…
O sentido que me tiraram quando deixo de estar sóbrio
É a minha grande lição…

Quem sente e escreve sobre o que sente
Não tem, por natureza, o hábito de se purificar.
Andar em cada momento a divagar
E o seu ser nunca mente.

Álvaro Machado - 00:37 - 29-09-2013