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Diálogo estrelar

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Sabes que me sinto sozinho
Quando em minha volta a terra está árida?
O que me faz logo depois questionar,
Se será a terra ou as pessoas
Esta falta de sentimento no ar...

Sabes que esta noite deixa-me sozinho
Só entre as estrelas, únicas interpretes verdadeiras do que sinto,
É que o meu sonho continua a mover-se e a girar continuamente
Numa espécie da translação anarquista
Para o sentimento inócuo.

E sabes também que eu detenho um amor pela vida
Um tanto diferente, e talvez um tanto superior,
Do que estes alheios corações que vociferam com desejo incontido
A eternidade, a luxuria, a ostentação, a invencibilidade, o império...
Não quero ser assim, sabes?

Sei lá eu o que quero ser; sei, em todo o caso, que amo viver assim
- Com a natureza e sem regras, com a liberdade e com sentimentos,
Com o constante desejo de descortinar o segredo estagnado na noite estrelar...
Sei lá eu quem me sinto! Sei lá eu o que sou! Sei lá eu o que é tudo isto,
Toda a dimensão esta que não mo diz!

Mas sabes... eu não sou infeliz a…

Sem nada, ser nada.

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Tentar compreender
É esquecer que compreendi.
Tentar viver
É esquecer que vivi...

Tentar é não tentar
Coisa nenhuma.
É apenas imaginar
Que se tentou coisa alguma...

Se nada me faz ser
Nada eu irei querer.
Assim tudo irei ter
Se nada tiver...

São os pensamentos
Que estão frios, de mar angustiado...
Afundem-me sem ressentimentos:
Considero-me naufragado...

Álvaro Machado - 21:58 - 11-10-2013

Concebível realidade

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Sei que os sonhos detêm o que a realidade desconhece.
Por mais que na tormenta rota tomada
As interceptem figuras demoníacas oriundas do mito
Quem sonha sempre alcança.

O meu estado leva-me a descortinar talvez o impossível à percepção da realidade.
Porquê? Porquê o circundar ébrio dos planetas em minha consciência?
Porquê a irrealidade imposta e concebida como a nossa vida?
Não sei nada...

Não sei como se ama, não sei porque se ama...
Se amar nos concebe um amor eterno,
E se realmente o carente sente saudade,
Porque não nos amamos em conjunto?

A minha realidade é sonho. Sempre foi.
Tenho pouco por que me agarrar à realidade, esta de momento.
Prefiro ser sempre o deambulante poeta que viveu na cave do pensamento
E que descortinou sempre outro mundo.

Álvaro Machado - 13:56 - 10-10-2013

Miramar

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Está distante...
E nem chega a ser muito distante...
Fica na intermitência...
E nem vale a pena ter saudade,
O navio não espera por mim.
Se esperasse, ganharia fôlego...

Sou alma-miramar...
Que nem sabe quem sente...
Será destino andar perdido no alto-mar?
Ah, mas porque me ouso sequer isto perguntar?
Vale a pena viver no Outono. A brisa deixa-me a flutuar,
E ver as borboletas e os pássaros a voar
Deixam que o momento fique comovente!...

Álvaro Machado - 01:46 - 07-10-2013

Um navio de personagens

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Gostava, às vezes, de não pensar no que está à minha volta.
Quem não pensa, não tem a penumbra como horizonte,
Tem, porém, outra coisa, talvez superior, chamada inconsciência
E a janela do seu quarto é fulgente.

Quem não pensa, não vive aquelas horas de agonia
Em que até chover nos dói, ou até quando faz sol...
Não tem aquelas insónias que só nos deixam mais a sós
Do que a nossa solidão nos permite enquanto sonhámos...

Mas temos, ainda assim, que viver. Alguém tem que gostar da arte,
Criá-la, mantê-la viva, exaltar os artistas...
Por isso, eu tomo a vida com uma constante liberdade de pensamento
Que me faça roçar no outro universo paralelo deste...

E não, não estou sozinho nesta viagem. Também eu criei pequenos pensadores
Dentro de mim, para que possam estar justamente na constante busca
Do incompreensível, do longínquo segredo que arrastou gerações inteiras!
O barco leva-nos para onde calhar.

No convés vai Mister Winston, a minha recente criação,
Acompanhado de Leonard Sagè, o português perdido em Fr…

Oculto

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Sinto as movimentações da terra oculta, terra de averno,
Contrabalanço-me entre a metafísica e o submundo,
Entre a ponte que tem como direcção céu, inferno,
Deus, Satanás e eu, que não sei de onde sou oriundo…

Bizarro em todos os sentidos.
São demasiados universos de sucedâneo ao meu…
Complexo, extremamente complexo, olhar o céu
E ter por que questionar: porquê tantos mundos?

Vagueei num pequeno espaço do Botânico
Já o silêncio a cidade inteira possuía;
Ia com a alma inquieta de pensamento que não queria,
Embora sozinha desejasse ser uma estrelo a sobrevoar o Atlântico…

Álvaro Machado – 13h00 – 05-10-2013

Perguntas vãs, respostas inexistentes

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Corria o tempo; simplesmente passava…
Não sabia como, não sabia porquê,
Porém, havia lhe perguntado:
“Tempo, porque passas?
Sabes que eu não queria que passes assim?
Queria que fosses eterno, que não tivesses fim…
Assim, não me separaria de ninguém,
Assim talvez a dor menos se propagasse entre mim…”

Tão incongruentes são estas minhas perguntas
Que, na inocência de ambicionar dar de caras com o universo,
Se sente só e de estado atónito p’ra limitação que aparamente nega ter…
Tão imbecis são estes meus pensamentos da indecisão e da incerteza
Que, enquanto o céu me não responder, continuarei assim, neste impasse solitário,
A cantar a triste saudade, o triste desejo de querer conhecer mais de mim
E deste vasto universo repleto de vida que todos os dias bate à minha porta…

Álvaro Machado – 18:32 – 04-10-2013