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Som alheio

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Som de ti, calmo quando sinto passar,
É uma saudade ténue de alguém
Que vem de longínquo lugar
Sem saber de onde vem…

O que de ti existe,
Alheio a este espaço,
É triste e não é triste
Como a vida que eu faço…

Som de ti que sei existir,
Mais calmo do que infeliz,
Foge do meu quarto, é repleto o porvir.
De mim não sei o que fiz…

Álvaro Machado – 17:14 – 21-01-2014

Frustração.

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Não me parece que consiga
Dar uma rota à minha vida
Nem achar uma nau e um destino
Que possa percorrer.

Cada vez que me ergo
Para saciar o horizonte indefinido
Me deixam a cair num precipício fundo e obscuro
Onde ninguém ouve este coração dócil
Que pede só que o salvem...

Forças as não encontro
Debaixo do manto de solidão e de medo
Que vive dentro de mim.
Demasiada frustração mágoa saudade dor
Para fechar os olhos ao presente...

Então acordo no meio
Em uma praia lusitana perdida no tempo
Preso ao cais com um peso na alma
E não me posso lançar ao mar!

Álvaro Machado - 03:19 - 20-01-2013

Travessia de dimensão

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A travessia para a ponte
Com meu sonho se almeja,
Com minha realidade se impede.
Uma névoa feita de impasse e indefinição
Impede que seja eu o alguém
Do outro lado do rio.

Estático e entristecido
Num recanto de alma vã
Tenho a indecisão de não saber o que fazer.
Continuar pensativo e inútil?
Ser algo que sobrevive aos dias por não poder findar?
Que posso eu mais fazer então
Do que fitar a distância?

Já vi tudo, tudo passou por mim.
Cruzei-me com muitos para os nunca mais ver.
Amei demasiado o céu e as estrelas
Sem nunca lhes ter falado ou elas a mim.
Sofri na solidão da noite a ternura das paisagens
Andei em linha descontínua e perdido
Por entre cadafalsos que o coração tivera...

Eu mesmo fora sem saber
Uma árvore com raízes e fruto
Poisada no decurso da vida
Sem conseguir falar, só sentindo
A mágoa dos que faziam a travessia
Sem olhar para trás
Sem ver que eu estava ali
Preso na solidão do mundo.

Álvaro Machado – 20:56 – 19-01-2014

em honra ao mestre de Abril

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Dedicado ao poeta Ary dos Santos

quebrar os braços, jamais.
eis que se quer erguer a liberdade,
quer-se vidas iguais,
quer-se nos rostos a felicidade
que estes regimes ditatoriais
encobrem, matam por maldade!

viesse chuva, viesse tempestade,
viesse a PIDE, viesse a repressão.
que a força das palavras é toda uma vontade
que nenhum poder consegue pôr travão!
se querem calar esta verdade
mandem-no para a prisão!
pensais vós, porque ninguém cessa um lutador.

ninguém sabe do povo que tem dor
que agora é de vitória e esperança que o nosso povo é feito.
cantamos o hino com a mão no peito
e cantamos liberdade com amor.
somos assim, à bravura dos nossos antecessores
prestamos um eterno louvor.
somos assim, somos portugueses vencedores!

Álvaro Machado - 17:51 - 18-01-2014

Deambulante pela noite

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És tão silenciosa e sinistra.
Tão única para eu te ouvir o segredo.
Contigo a meu lado, minha alma é transparente.
Está nas indefinições e vagueia entre elas,
Até que os olhos se erguem às estrelas
E entristecem pela distância entre elas e mim.

Ando tempos pela escuridão.
Mas não me sinto perdido, sinto-me calmo e inspirado.
Porque afinal és tu, noite, que ouves meus devaneios,
Minhas vãs perguntas, que me conheces como ninguém...
Será que existo para lá disto?...

Álvaro Machado - 23:49 - 17-01-2014

Inconcebível mundo

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O universo existe; e os planetas e as galáxias,
Multidões de homens vulgares e esquecidos,
Eternas catedrais mórbidas e exageradas,
E tudo isto me é ensurdecedor enquanto concepção de vida.
Para onde foram os antigos e verdadeiros poetas
Que faziam da vida única com suas obras de sentir para lá do possível?
Mas onde estão aqueles filósofos sobre o púlpito a percorrer séculos de ideias futuras?
Onde está o horizonte preenchido de grandes embarcações com hastes içadas?
Mundo? Onde estás, mundo que eu próprio concebi?

Ah, este mundo não tem lugar no próprio mundo!
E poucos o sonham - poucos, nenhuns, o que for...
No meu sonho, então concebido como salvação divina,
Encontrarei-os todos, mesmo os que não conheci.
Viver do passado, aprendi, é viver mais actual.

Álvaro Machado - 19:19 - 16-01-2014

Superior a nós

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Percorri os estores e uma pequena luz
Deixei entrar para me iluminar.
Cedo desvaneceu, encobriu o céu,
Chover há-de em breve.

E foi assim toda a manhã, chuva, sol,
Vento entre eles, levado com o tempo também...
O que me faz crer que sou pequeno
Para o grande mundo de oiro...

Debaixo da tempestade, a álea despia na crua verdade
O grande poder aquém da nossa compreensão,
Nossa mestra, senhora da beleza e da efemeridade,
Que ninguém é capaz de deixar para trás.

Álvaro Machado - 13:42 - 16-01-2014