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sentado.

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sentado os dias passam
e no passar deles
simples, ainda mais duram
do que antes.

no correr do tempo
acolhemos a ilusão
para também corrermos
na mágoa sem a ter.

porém, levanto-me.
ergo-me.
astro-rei de mim
eu criei.

escolho saber de mim
em vários eus a meio caminho
no cansaço das eras
e dos lânguidos olhares.

vou findar, triste história inacabada
que alguém escreveu...
tremidos versos que haviam de nascer
pela consciência de todo mal...

sentado. vendo o tempo a passar,
a chama da fogueira a queimar,
ardemos, tu e eu, com a lembrança
que tinha de existir.

na memória, as cinzas
leva o vento, a voz do senhor
é o extenso universo
incompreensível a baixos olhos.

Álvaro Machado - 00:23 - 25-02-2014

Voando na inconsciência

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Voa um pássaro
Na inconsciência que Deus lhe concedeu
Por sorte ele voa nas brisas que vão calhando
Sem pensar, a bater as asas, para a frente e para trás
Só para conhecer o mundo.

E para ele tudo é assim.
Assim do nada é tudo.
O mundo existe só para ele,
Vem o sol, vem a chuva,
Somente gira p'ra si.

É feliz, então.
E às vezes, pelo acaso da vida, lá se encontra
Com outros pássaros a meio da viagem.
Mas todos são felizes e verdadeiros companheiros
Na ironia da vida.

Álvaro Machado - 18:03 - 23-02-2014

Lúcido nocturno

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Noite adentro o vento passa,
Da lua no alto sentido
Suspira o coração pela vida,
Por aí se sentir vivo.

Do lado de fora, ilumina-se a noite,
Tudo é tão puro e tão forte
No ser livre e poder contemplar
O sentido de aqui estar...

Sou um pequeno ponto entre vácuo
Ígneo que não se dá por vencido
Crê no orbe, no desconhecido
Na origem de mim.

Sinto-me eu próprio uma noite fria,
Um luar visto, mas esquecido;
Apenas uma paisagem que retida ficara
Sem crença, sem esperança, sem nada.

Álvaro Machado – 19:19 – 22-02-2014

Questão simbólica.

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Amanhã haverá sol, viverei?
Continuará a passar-me o tempo pelas mãos
E eu a fazer-me de esquecido, deixando-o passar?
Continuarei a passar como passei,
A sentir assim os dias vãos
Na expectativa de acabar ou continuar?

Na incerteza que se nos vem atravessar
Cremos no certo, fazemos o errado.
Iludidos com o estar a passar
Achamos que se deve continuar
No presente, esquecer o passado
Não fazer perguntas, apenas consentir e calar.

Mas a minha alma, essa, será intemporal.
Afincadamente constrói-se-me uma espiral
Sonhos tenebrosos, viagens no submundo,
Confusões no pensar de onde sou oriundo...
Uma brisa acorda-me, é novo dia em Portugal
E no resto do mundo!

Álvaro Machado – 01:43 – 22-02-2014

Dúvida?

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Um barulho ensurdecedor e incessante
Acerca-me na linha de comboio,
Mas porquê meu destino errante
Num destino triste, sem qualquer apoio?

Sabes... eu olho para os dois lados
Para o dia e para a noite e não os entendo
Serão dois mundos criados
Para se ir percorrendo?

Tenho muitas dúvidas, de mim, do que vejo.
Do que escrevo, do que sinto.
Às vezes aquilo que nem quero, digo que almejo,
É a verdade daquilo que eu minto.

Comboio, passa e leva-me.
Eu não quero ser feliz.
Quero que os outros não sofram, encontra-me
Na metafísica que eu sempre quis.

Álvaro Machado - 23:33 - 20-02-2014

Cântico Negro

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Desta vez não vos trago um poema, antes uma pequena actuação minha numa intervenção cultural em Marco de Canaveses, o "FAZ". Desta experiência absorvi duas convicções: a primeira é que temos pessoas, em Portugal, capazes de impulsionar a arte e divulgar os artistas; a segunda, não tão boa, é que as pessoas não se deslocam a eventos, diria, apelativos, talvez pela sua inércia.

Acredito que isto vai mudar. Deixo-vos aqui, então, o poema Cântico Negro de José Régio recitado por mim.

Com os melhores cumprimentos,

Álvaro Machado

Porquê?

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Mundo que me rodeias Porque me levas por esse lado? Eu não queria estar sentado Preso por entre as paredes A receber a mágoa do passado O presente do nada, O futuro naufragado...
Queria poder sentar-me contigo Onde arde-se uma fogueira Entre nós, houve-se sentido, luz ao fundo, Que a chama ainda tivesse vida... Mas o que posso eu fazer, para onde hei-de voltar? Todo o meu dia é feito de pequenas coisas E a todas elas eu intensamente consigo amar, Todas únicas e especiais, sofro como elas sofrem...
Então é assim, mundo? Porque me rodeias pelo mal? Se eu só te peço uma fogueira para poder aquecer as mãos, o coração, E um jardim escasso de vida humana, impregnado de sonhos, Para eu poder recitar os meus poemas, escrever os meus sentimentos, Chorar quanto foi meu e não é, quanto eu não consigo ser,
O mal de todos os males é a humanidade, ó mundo!
Álvaro Machado – 16:11  - 15-02-2014