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A mostrar mensagens de 2023

Criação infindável

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A criação que não finda Que vem dolorosa, sem se apresentar, Vem fragmento a fragmento na vinda E cai, em dobre, em noite de luar Cai enquanto medito sobre o passado. Se eu quiser eu não consigo voltar a tê-lo. (os outros de olhos postos como sabendo o fado) E, de repente, no eléctrico, cai um relâmpago: não voltarei a vê-lo! Sinto e digo e fujo destas epifanias sobressaltadas Não tarda estarei noutro lado, a virar de direcção! Com meu pequeno barco a seguir novas pegadas E o volante a girar, comigo ao leme, a escrever outra canção! Álvaro Machado - 19.09.2023

estrada do mundo

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o coração vai cheio por essa estrada que chamamos mundo... vai carregado de acasos não por acaso,  explode intenso, único no sentir... vai entre ritmos musicais a bater nele e a cada toque da guitarra vibra história efémera no momento, eterna no sentir  por essa estrada que também é destino...  e no toque suave da mente relembrado  tudo se agiganta: mais se quer viver mais se quer ter, mais se quer para vir por essa estrada que no coração quer ficar... Álvaro Machado - 10h25 - 13.06.2023

todos no poema

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Eu sou de todos, sem mais ninguém.  Sou do universo à noite, rodeado de dúvidas, Sou do dia na manhã, com a brisa a escapar-me das mãos, vai e nunca mais vem, Sou das estrelas cadentes que tiram vidas...  Sou da réstia de esperança que esta lá fora, memórias que sobressaidas Tornam este quarto tenebroso e além vós, Além paisagens, além snobes que se achem,  Além dizeres e não dizeres, contos e não contos: Afinal sou eu não sou?  Sou eu de permeio, sou eu lá trás, aquele senhor até o caminho apontou,  Sou eu ali em cima do balcão, ébrio, a regozijar-me por ser um artista falhado,  Por quem ninguém se tem importado?  É não é? Sou de quem é ou de quem não é? Sou-me pelo menos para mim próprio?  Sou o almirante no meio do mar a seguir um caminho que já havia sido navegado?  A bússola que me deram é que o traçou E eu segui-o; o almirante nunca contestou Nem para onde ir nem com quem ir...  Sim, eu sou estes senhores todos. Sou um espelho de v...

Livro de mim

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  Trago dentro de mim Um livro cheio de canções Poemas inteiros que assim Dão vida às minhas emoções Trago neste caderno Percalços do caminho, a minha redenção...  E talvez um dia, em pleno sol de Inverno,  Esqueça esta dor que trago pela mão, Talvez esqueça estes dias vagos,  As horas passadas sem sentido nenhum...  E que estes pensamentos amargos Saiam, por fim, para lugar algum...  Trago o vento e o ranger  Dos mares, da história de todos os seres...  E ao olhar para o céu sinto esperança, sinto um renascer: - "abre esta porta, agora é para viveres!"  Álvaro Machado - 13h42 - 22.05.2023

incessante naufrágio

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  tenho vertigens, o medo incessante de cair... por isso é que me aproximo do mar, longe da terra, deixo o vento para me apontar o sítio, o caminho que devo seguir... temo pelo cadafalso que se está a aproximar não exógeno, o que em mim começa a nascer... o buraco do abismo a ver-se crescer dentro de mim e empurra-me p'ra longe do lar... mas esta incerteza sobressalta: se caio do abismo ou se será a naufragar que serei posto pela última vez a respirar, junto à costa ou à terra, o que me vai matar? Álvaro Machado - 11h33 - 03.05.2023