Mudou o tempo num ápice profundo


Mudou o tempo num ápice profundo
Sofrer pela falta de chuva e escassez solar
Tudo só para te dizer que já não sei rezar,
Desisti. Sou vagabundo.

Sentido de orientação? Ser racional?
No fundo temos uma vida ocasional,
Sem lógica, sem pensamento,
Coisas de que me lamento.

Procurei me diferenciar das plantas
Elas brilham.. Brilham como uma estrela..
Nós vergamos a ferrugem numas mantas,
E disfarçar-mo-nos no meio de outras tantas?

Sem rumo, sem critério, sem voz!
É assim que me aventuro,
Neste caminho longo e duro,
Para que um dia se lembrem de nós!

Ó tempo moderno como te temo,
Como me fazes tremer e gritar!
No fundo sei que com tudo vais acabar:
Lá se vai tempo quente, tempo ameno.

Os de agora são infelizes como um cacho de uvas,
Antes de serem pisadas. Só o vento alegra as casas
Os corações choram a alma esquecida
Misturam-se numa face enternecida.

Pequenos trechos abandonados na montanha,
Velas avessas que são apagadas pela armada
Tremem e afogam mágoas na cruzada
Receando nova artimanha.

Sem rimar,
Sei-te amar,
E sem falar,
Sei-te perdoar,
Com dores,
Dou-te flores,
Com desânimo,
Dou-te ânimo.

No campo alegre e verde o céu se contrasta
A colheita é fértil pela fertilidade da fruta,
Está um azul esverdeado.. branqueado.
Que tão pouco é lembrado!

Álvaro Machado - 16:04 - 31-03-2012

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