morte vangloriada


vangloriar a morte, meus irmãos.
isso torna-nos presos a essa ideia,
e essa ideia torna-se o caos...
até que, quando envoltos nessa pessimista e infame ideia,
vemos na dor um alívio inoportuno, descarado, miserável...

e aí, irmãos do sangue e da terra árida de emoções,
é onde reside toda a essência do poeta.
o silêncio que nos tormenta a alma, a solidão que nos inquieta o desejo,
a morte que quanto mais a vislumbrámos, mais amamos o fim,
mais desejámos esse fim, mais queremos acabar!...

rasgados em pedaços com a corneta de Érebo
a soar pela madrugada inverosímil
a confirmação da nossa própria morte!
e que nos rasguem em pedaços, que nos leve os mares do além
para que do além sejamos escravos eternos.

soa pela quinta vez.
a corneta do medo soou a sexta vez.
cada vez soa mais e mais... e o abismo aproxima-se sem piedade.
pareço morto - será que, enfim, vêem-me morto?
será isto um sinal que tudo acabou, irmãos?

 Álvaro Machado - 21:53 - 14-03-2015

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