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A mostrar mensagens de Maio, 2016

De um português de Portugal

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Portugal,
Por ti já vi homens derramar sangue,
Morrer se tal fosse imperativo,
E os soluços que as viúvas davam
Não foi por não te amarem... Portugal,
Por ti já vi homens atravessar o desconhecido,
Mesmo contra todos mitos,
E se a saudade lhes apertava o coração
A bravura fez-se-lhes ir adiante... Portugal,
Por ti já vi poetas exaltar teus belos feitos
E morrer assim esquecidos como jaspe fria,
Pois nunca os ouviste a gritar por dentro
A imensa empatia que te têm... Mas Portugal...,
És tão cinzento, não tens voz, mal te reconheço assim...
És gélido, não tens brio, em ti não se vê esperança...
Mas Portugal..., quando voltas?

Álvaro Machado - 05h00 - 22.05.2016

Olvidar na hora morta

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Olvida, defronte,
o inda vermelho do poente
que magistral e brilhante
contemplá-lo, nunca mente...

Mas dêem-me um momento,
irmãos, um momento somente!...
Onde vêem arte se o que há é fingimento
mão morta, cabeça cortada, alma presa à corrente?

Sim... escutamos o silêncio do pós-poente, além-olvidado,
pois não há mestria nenhuma em sofrer pelo passado
(estarei, nestas horas de tédio, esquecido do real?)
do porto, ainda porto, do porto desencontrado...

Poesia obscura. Soltos versos, funestos, inócuos, absurdos
como afinal sois todos vós, de poesias baratas no bolso do lado,
romances escritos por romancistas surdos...
Ah, causais-me enfado!...

Sim, sim, outra vez: são duas da manhã, nenhum de vós me vai ler...
Puta que vos pariu. Não quero. Não me vendo às horas badaladas
onde quem lê nunca lê no ler para além das frases dadas...
Eu cá prefiro só escrever, escrever..., e endoidecer!...

(O resto são cartas velhas e cansadas.)

Álvaro Machado - 02h03 - 18-05-2016

Homem-multidão

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A esta hora onde me sou
tremendo sob a veste do mundo
(e Deus assim se esquivou)
peso e sinto-me imundo
quase no fundo...

A esta hora de indefinição
voltado às confissões ancestrais
deixo-vos: escutai o meu coração,
o porquê de infinitos ais...

E que as montanhas mais ásperas,
as ondas dos mares mais insubordinados,
as terras longínquas e áridas
sejam, ó poetas!, nossos legados!...

E a hora, ténue ao menos no sofrer,
sucumbe de mim pela mão...
A hora que me deixou agonia no ser,
até sempre na multidão!...

Álvaro Machado - 23h48 - 15-05-2016