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A mostrar mensagens de novembro, 2015

Projecção de um nefasto subsistir

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Julgo que sou. Não sei se realmente sou. Julgando-me posso não ser, Sendo outro que não este. Como tudo na vida e que existe - física, mental ou oniricamente -  Pode correr como julgámos correr e existir E assim ser para nós. Pode até nada ser disso que supomos Como real e despido de projecções ridículas e irreais; Pode ser, quem sabe, a vida uma roda gigante e nós sermos Movimento contra movimento. Ser e supor chega-nos às mãos repentinamente: quando nascemos, sem consciência. Depois, remetendo-o para o tempo, o nosso tempo, Haveremos de nada ser, então? Álvaro Machado -17:05 - 22-11-2015

Decapitação solene

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Do cimo, não sei, perto do cimo, não, nada disso! Qualquer cousa, ali, acolá, mas no cimo não quero! Oiçam, calem-se, mexam-se; a cidade saí p'ra rua não saindo! Entontecido, enternecido, quieto, fiel à morte, mas nunca vivo! Se me revolto, já não me revolto, tudo quis e agora nada mais... Parem! Dai-me a decapitação, senhores! Só eu é que vejo, não, não acredito!  Álvaro Machado - 03h06 - 17-11-2015

Álvaro Machado - Falemos de casas (Herberto Helder)

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Aqui fica um poema novo no meu canal no youtube. Espero que gostem, fico à espera de feedback. Um abraço para todos vós, que me seguem. Obrigado. Álvaro Machado - 16:05 - 15-11-2015

Deserto do eu

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De um deserto imenso onde o que nos vem de frente é nulo e a esperança se perde no passar uma pequena poeira levanta. Contemplo cheio de fervor o trajecto que ela leva, incoerente no arado onde vai, p'ra o indefinido da alma... E achei que fosse tão fácil quanto esta poeira no levantar o encontrar-me, o conhecer-me, o saber-me quem sou... Álvaro Machado - 22:04 - 14-11-2015

desabafos

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soa no ar distante e frio quase um pesar de derrota, de fracasso. no horizonte é noite, e névoa, e as forças do universo por mim se propagam em alta intensidade... o que disso penso? sobre o chão frio a morte é o que sinto mais... mais que isso soa-me como um quase sentir, um quase chegar sem nunca chegar... é alto o inverno que trago ao peito (o volante da ode marítima em meu redor gira) mas a lei da vida, essa, não sei se a aceito. reconforto-me, porém, com essa consciência, desse que em mim se diz imperfeito, de um sublime fracasso ser. Álvaro Machado - 04:07 - 12-11-2015

Manto de dor

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É tudo vento - e vento é coisa desinteressada. Para quê névoa tamanha na estrada, Se o único que tem lamento É doido e não sabe nada? Ninguém vê lugar nenhum defronte - vê o vento, e é cego e mudo e inexistente. Mas por que se hão-de importar com quem sente? Interessa é saúde e não quem confronte, É só comum o torpe que mente. E é assim, e é assim por isso, Que sofro eu tanto. Cobre-se o homem desse manto E nele é como feitiço: Engana e trai e nunca tivera encanto. Álvaro Machado - 01h59 - 10-11-2015

Turva impressão

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Sórdido e desolado Numa turva impressão Fico como que acabado Ou somente com essa sensação. Por entre a chuva sentindo Ou nem sentindo coisa nenhuma Sou uma aragem indo, Isto se fui coisa alguma. Mas já que a morte é certa, E deus uma desconhecida verdade, Que esteja sempre minha consciência aberta De essência e inerte saudade.. Álvaro Machado - 18h48 - 08-11-2015

Viagem no sonho

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Ébriamente sonho. E esqueço-me de ser. Serei um sentir enfadonho Cansado de sobreviver? Especulo sobre os deuses, Dizem-me de louco nos arredores. Queira eu mais nuances Da vida restam só sofredores. Distúrbio complexo e psíquico De onda em onda remando O meu amor metafísico É eterno comigo ao comando. Mas paro. Querer? Ah, mesmo no querendo já Se me destrono de vencer Esse remar na orla vã.. Álvaro Machado - 03:17 - 01-11-2015

Herege sóbrio

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Os pequenos passos que dou Num obscuro ir se me pesam; Parece que de mim não sou E os sonhos se me cessam... O breve respirar defronte É já o universo inteiro a pesar; Vã e solene, feliz que encontre, A vida sóbria sem se embriagar... Dize o mestre aos estatuários da poesia, Aos que lhe corrói o lento deambular, Que alto é quem se revê na heresia De nunca em si acreditar... Álvaro Machado - 12h41 - 31-10-2015

Onda do desassossego

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Cada som que vem da onda vinda do mar é de um soar de ninguém, de um nunca encontrar. Vem e regressa nesse instante - esse soar que depressa o é frio e distante. Mas então porque tu vens encontrar-me na orla da vida? Pensei que de tantas ondas que tens, tivesses a minha por esquecida!... Álvaro Machado - 14h18 - 21.10.2015

Rua da alma

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Soar completo numa das ruas da alma, Vaguear nela como que se o sentimento Fosse de uma plenitude exacta, Além-chuva. (Começa a chover...) E nesse soar eu não sou mais Que um homem sozinho, feito para ser esquecido, Nunca para ser relembrado. Como dói estar à chuva. Como pesa estar sentado num banco de jardim A vê-los felizes, indo ora à frente, ora atrás, Ora rodopiando de mãos entrelaçadas... E eu aqui, na intermitência do tempo e da morte, Preso ao sonho fugaz de uma vida inútil e infame... Onde meus passos, em tempo, soaram plenitude E não foram senão solidão iminente. Álvaro Machado - 16:54 - 11-10-2015