Prelude


Aceito-o. Não posso encobrir que nasci para fracassar.
Nasci para estar somente na margem
Que vê tudo e todos a passar
Sem lhes poder fazer paragem…

Se ao lado deles, quem sabe, pudesse ser menos doloroso
O sentir presente todo o vácuo vasto do universo…
Pudesse ao menos o meu eu estar menos disperso
Por um brilhante rasgo de morfina deleitoso…

Inda é noite, já o estou a aceitar.
Aceitar que, se mesmo agora a minha vida fosse deixar,
Ninguém ia dar pela minha falta.

Só – talvez, talvez pensando bem – esta noite de luar
Há-de conseguir entender o que me está a atormentar.
Por cima de mim, só a lua está alta…

Álvaro Machado - 23:40 - 26.04.2014

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