Paragem.


I.

É só uma sensação.
Um pequeno desconforto, disse eu,
Olhando em volta
Para o sentido que me move
Inerte, frágil, ridículo…

E paro. Não quero continuar.
Deixo que tudo desmorone!
Não tenho mesmo vontade nenhuma
De me erguer p’ra poder viver.
Da vida o que posso esperar?

Ilusão errática,
Agonizante, cismática…
E não mais que isso.
Um eco profundo que eu invoco
Só porque não valho nada…

II.

Para além da vida,
Este meu eu que me corroí por dentro
Leva-me ao suicídio da alma
Pela súbita inveja
De uma pomba voar…

Quão frio me sou quando rodo numa náusea de suposições
O que esta pomba faz sem sentir, e muito menos sem pensar.
Feliz porque Deus é egoísta e a deixa ser feliz
Para nos escarnir.

Olhámo-la com uma inquieta e estranha curiosidade.
Olhámo-la porque vemos nela o que não vemos em nós:
Vemos-lhe liberdade, meus caros. Liberdade!
Liberdade e inocência, pura inocência
Que a faz voar muito mais além…

Álvaro Machado - 23:26 - 01-05-2014

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