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A mostrar mensagens de 2016

Poeta dramático.

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Sobre a lua ainda não aparecida poiso meu prolixo fragmento e penso se será merecida a dor do meu sentimento... Momentos após quase esqueço. Indecisão? É tremenda, a linha é excessivamente ténue p'ra que possais pensar dela ao avesso, dados a ela artística e fugazmente... Tão-só respirais; nunca ireis saber como sabe o respirar na alma, repleta de oníricas escadarias... Viver é-vos esperançosamente tido pela inconsciência do vosso ser sem catedrais, sem palácios majestosos, sem covardias, sem viagens exaustivas à consciência onde a lua nunca veio... Afinal, sou apenas um poeta dramático. Álvaro Machado - 19h27 - 08-7-2016

De um português de Portugal

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Portugal, Por ti já vi homens derramar sangue, Morrer se tal fosse imperativo, E os soluços que as viúvas davam Não foi por não te amarem... Portugal, Por ti já vi homens atravessar o desconhecido, Mesmo contra todos mitos, E se a saudade lhes apertava o coração A bravura fez-se-lhes ir adiante... Portugal, Por ti já vi poetas exaltar teus belos feitos E morrer assim esquecidos como jaspe fria, Pois nunca os ouviste a gritar por dentro A imensa empatia que te têm... Mas Portugal..., És tão cinzento, não tens voz, mal te reconheço assim... És gélido, não tens brio, em ti não se vê esperança... Mas Portugal..., quando voltas? Álvaro Machado - 05h00 - 22.05.2016

Olvidar na hora morta

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Olvida, defronte, o inda vermelho do poente que magistral e brilhante contemplá-lo, nunca mente... Mas dêem-me um momento, irmãos, um momento somente!... Onde vêem arte se o que há é fingimento mão morta, cabeça cortada, alma presa à corrente? Sim... escutamos o silêncio do pós-poente, além-olvidado, pois não há mestria nenhuma em sofrer pelo passado (estarei, nestas horas de tédio, esquecido do real?) do porto, ainda porto, do porto desencontrado... Poesia obscura. Soltos versos, funestos, inócuos, absurdos como afinal sois todos vós, de poesias baratas no bolso do lado, romances escritos por romancistas surdos... Ah, causais-me enfado!... Sim, sim, outra vez: são duas da manhã, nenhum de vós me vai ler... Puta que vos pariu. Não quero. Não me vendo às horas badaladas onde quem lê nunca lê no ler para além das frases dadas... Eu cá prefiro só escrever, escrever..., e endoidecer!... (O resto são cartas velhas e cansadas.) Álvaro Machado - 02h03 - 18-05-2016

Homem-multidão

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A esta hora onde me sou tremendo sob a veste do mundo (e Deus assim se esquivou) peso e sinto-me imundo quase no fundo... A esta hora de indefinição voltado às confissões ancestrais deixo-vos: escutai o meu coração, o porquê de infinitos ais... E que as montanhas mais ásperas, as ondas dos mares mais insubordinados, as terras longínquas e áridas sejam, ó poetas!, nossos legados!... E a hora, ténue ao menos no sofrer, sucumbe de mim pela mão... A hora que me deixou agonia no ser, até sempre na multidão!... Álvaro Machado - 23h48 - 15-05-2016

Comuns mortais

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Abri a garrafa. Estendei-vos a ouvir a canção. Fiquemos aqui até amanhecer, porque não? Breve havemos de sucumbir... Bebei até à exaustão. Deus é quem nos perdoa, é ele a nossa inspiração? Breve havemos de sucumbir... Nas masmorras do nosso pensamento!... - gritou, covardemente, em sofrimento homem que ousou não sentir... Continuou: é nas masmorras que cantamos e bebemos, é aqui que mais ebriamente enlouquecemos!... (Disse-o até partir...) Álvaro Machado - 15h54 - 03-04-2016

Do desassossego eleito

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Cada dia que passe é menos sol que se me esbate na fronte. Cada dia que passe sou-me menos, excepto do ser menos que sou cada vez mais. Cada dia, do universo extensivamente cansado, a percepção do afecto desvanece... Guardo, enfim, das memórias que a noite faz recordar (e devidamente comover) um ou outro episódio mais caricato, talvez de uma jantar onde fomos qualquer cousa, talvez dos sonetos escritos sobre o asfalto... Tu aí, viajante submisso, onde ousas ir? À descoberta do mundo? Não o faças; ignora o que vives, esquece os sonhos, vive-os somente aí, nesse estado de alma... Verás, como eu, que não há nada ali. É tudo um grande vazio. Nada queiras que não esteja já em ti, não anseies abraçar cousas que serão veneno nem despertes em ti a paixão que te fará cegar do teu sonho... Do poder - e do poder inda mais afincadamente - afasta-te! E serás assim o poeta que escreve e rasga do caderno inteiras confissões mentais, que num êxtase momentâneo se enfurece com a chuv...

Aurora do trovador

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Barco que fora o barco do sentir deveras do trovador que cantara cousas que inda não eras Barco que fora o barco do disperso, do vão aonde trovar sobre a aurora resplandecia na canção Quantos mares fomos, quantos homens naufragámos? Se eles soubessem quem somos, o que só nós sonhámos Que seria hoje do barco, da canção? Dormiria onde o trovador? Ah,tanto pesar num coração, tanto p'ra sentir um pensador!... Álvaro Machado - 16h12 - 20-03-2016

Fragmento contemplativo

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Nada que correu E inda 'sta correndo Sinto como meu, Do eu que está desvanecendo Pois é no universo Que silêncio somos - Bruma contra bruma, pesar disperso De outro que outrora fomos Ah, fosse esse tédio assim! Lentamente destruindo Cada pedaço que em mim Vai subsistindo!... Leonard Sagè - 19h46 - 06-03-2016