Anárquica noite




Não me obriguem; porque se obrigarem eu não o faço
- Para mim dever há só um: ouvir esta noite assombrosa
Por onde passa o vento frenético, de cólera impiedosa,
E a escuridão é o caminho que faço e desfaço
No mesmo instante, no mesmo espaço.

Neste momento de vida, talvez precoce e imaturo,
O oceano empurra para a mesma direcção
- Que outros vão percorrendo em vão,
Outros, esse tais, que da vida soltam inertemente revolução -
De caminhos que para mim não procuro.

Só esta noite me conhece, só este vento
Intercepta a voz, o verso, a inquietação em lamento
Com que eu carrego de mão ao peito,
Por um sentimento trágico e sem encanto.

De fora? Pode brilhar, e pode até iludir.
Nunca disse que mais ilusões não estivessem para vir.
Só que ilusões não passam de ilusões, e esta noite existe
Como o vento e a minha alma.
(Ó alma, por que me fugiste?)

Álvaro Machado – 23:14 – 29-04-2013

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