Desde do início




I

Sou a ave mais libertária deste mundo...
Não conheço ninguém, não vivo p'ra ninguém...
Tudo quanto penso fica em mim e não vê a luz do dia,
Tudo quanto sou é imaginar tudo quanto quero ser
E este deambular não é de gente...

Como folhas que se varrem do chão sem pátria,
A mim, varrem-me da vida porque não a mereço...
E eu fico a olhar e a esquecer junto da primavera
Enquanto o tempo passa por passar
E a alma pensa por pensar...

Esbatem-me as forças e suplico por perdão, (perdoa-me, deus)
Que bem podia o momento valer a pena
Se a vontade fosse muita de manejar um gládio
E conquistar fosse o sonho para chama alentar...

II

Sento-me sobre uma rocking-chair a conversar com a natureza
E peço-lhe que se aproxime, esplêndida e altiva,
Que é a primavera no seu todo, quando chega,
A forma mais pura de ouvir o vento.

O ciclo da vida é ir esquecendo o que se está a viver
Por uns momentos em que somos vácuo à tona da água;
Sentir a brisa, ir esquecendo que a sentimos, e ouvi-la dizer
Quem é e quem somos...

E a fraqueza do meu corpo, a demência da minha mente,
Não me deixam pensar porque vivo e o que é estar triste.

Álvaro Machado – 20:16 – 18-04-2013

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