desfragmento


se me dizem para te amar
eu não amo.
se me dizem para te esquecer
eu não esqueço.
se me dizem, se me não dizem,
eu não quero saber.

este sou eu. uma náusea de consciência.
uma mágoa vendida à sorte.
o desfragmento, o estúpido, o artista de nada...
o não ter sentido, tendo-o.
o vácuo de todo mundo num rasgo de génio,
o cadafalso permanente e a morte à vista...

o verso disforme.
nenhum ser merece escrevê-lo.
tanto tormento. tanto, tanto...
disseram-me para te amar e eu amei,
disseram-me para te esquecer e eu esqueci...
morri. morri porque nunca vivi.
ébrio suspiro da corrente...
meu amor.

Álvaro Machado - 17h47 - 14-05-2014

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