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A mostrar mensagens de Junho, 2013

Tarde dos bons costumes

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Não sei, mas acho que estou perdido.
Para mim, todas as pessoas por quem me cruzo,
Todo o lado de lá das ruas e dos passeios,
Todo o pôr-do-sol não tem sentido.
Os meus dias são devaneios
E dou-lhes pouco uso.

Uma vez, lembro-me perfeitamente,
Encostei-me à sombra a ver os animais.
Larguei os costumes, as regras que deus me deu,
Naquele instante fiquei tão contente
Que, com franqueza, não sei o que aconteceu.
Foi bom e desapareceu cedo demais.

As mãos com que lavo o meu rosto
E a cara em que me vejo são o meu desgosto.
Eu queria ser quem sou e não quem estou a ser,
Queria arremessar o jornal e as teorias que nada valem,
E fugir, fugir é a viagem
Que sozinho terei de fazer.

Ó alma de ventos tristes, qual é o caminho a seguir?
Dá-me alguma coisa com sentido e que possa sentir;
Devolve-me a tarde que me deu prazer,
Que agora as tardes são de ócio e sem esperança
E o sol que lhes alenta sempre cansa.
(Só Deus sabe o que está a acontecer!)

Álvaro Machado – 23:15 – 25-06-2013

Derradeira viagem

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Estou na viagem que dita o meu fim.
O sopro do vento desta vez só tem uma direcção.
E eu nunca quis verdadeiramente isto para mim.
Tudo o que aconteceu foi da ocasião.

Quem me dera que a vida não fosse de coisas tristes,
Nem houvesse tantas pausas a viver.
Só queria estar mais tempo convosco, não tão distantes,
Até ao novo amanhecer.

Vamos. Se partir é só mais uma etapa
Não há que ter medo, nem fazer grandes despedidas.
Então eu deito fora a capa
De tantas que tinha vestidas.

Parto à primeira brisa da manhã. Sozinho para lugar nenhum.
Com o amanhecer e os pássaros e uma boa quantidade de rum
- Que é quanto baste p'ra me lançar ao mar -
Eu vou andar por aí com a sorte e com o azar.

Vou consoante os corsários.
Serão eles, daqui a anos, os aeronáuticos
Do momento. Sobrevoarão os países Bálticos
E pilotos serão vários.

(Mas tudo isso está no porvir
Coisa que eu esqueço no meu partir...
Que consoante as injúrias do leme
É que realmente a vida me treme.)

Soam como náuseas quando se e…

Rascunho sacrificado

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Tudo que em mim é
Se distancia mais da rota.
Tudo que em mim vive
Nunca é de ninguém.

Estar ébrio é a minha condição
De estar sóbrio.
E os que vejo à minha volta,
Tantos desses, não são nada.

A vida é monótona, estejamos feliz ou não.
Vivamos, portanto.
Tenhamos fé:
Deus é a brisa das estações.

Ah vida dolorosa, cansativa, igual em todos os lados!
Do homem te acercas; do homem tens parte de ti!
E os sentidos, o que são os sentidos?
O que é ser-me? O que é ser-vos?

E a minha embriaguez não me permite responder.
Não quero viver na distância, nem viver do momento.
Não quero ter nada, não quero viver por nada.
Chega! Chega de ouvir a voz de Deus!

Álvaro Machado - 03:32 - 23-06-2013

Decadente Paris

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Insignificante

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Dúvida permanente

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Sem obstáculos

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Enquanto está longe,
Porque só longe pode estar,
Toda a vida é para apreciar.
Todo o caminho é para seguir.
Toda a esperança é para acreditar.
Todo o meio é para erguer.
E os pássaros só têm que voar,
Porque o futuro deles é esse.
De verão em verão, de sol em sol,
De paisagem em paisagem...
E seguir sempre,
Sempre em viagem...

Álvaro Machado - 19:39 - 19-06-2013

Futuros longínquos

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Alvorada

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