O universo que há em mim


O universo nega-me o que, possivelmente, é infinito.
E a minha vida mortal e monótona rege-se sobre um tom,
Que nasce, sobrepõe-se e acaba - e por isso finito,
Passa por mim como vago som.

Imortaliza-se-me novas vidas para além mundos,
E o corpo é apenas um lugar sem gestos.
Porém, a minha alma cheia de afectos
Imortaliza meus segredos mudos.

E o que haverá mais além que o próprio além?
Galáxias, planetas, estrelas moribundas?
Não sei... Explosões acontecem, provocadas por alguém...
Isto para saber ser infinito d'almas oriundas...

Tu confundes-me os sentidos pela tua beleza.
Enalteces-me o coração só de te olhar.
Bela e fogosa princesa,
O que enaltece não sabe amar...

Tu desesperas-me à saída da estação.
Tantos que por mim passaram e tudo não.
Cruzei os braços, acendi o cachimbo, esperando,
Na noite escura, desesperando...

Esqueço tudo que há em mim mulher invisível!
Desde que nasci - anos que já lá vão,
Esperei por ti e por essa forma inconfundível!
E foi assim que enalteces-me este coração...

Ainda te procuro, vês? Entre o meu jazigo, entre as minhas cinzas,
Procuro-te até saber que estás perto e longe de mim.
E esse teu olhar marcou, gesticulou e disse-me sim...
Pintei uma bela tela com verdes-cinzas!

Ó espaço escuro e estrelado; Ó céu límpido e oceânico...
As minhas manhãs são ventanias pelo Báltico,
E as minhas noites são chuvadas intensas e sãs,
Onde eu e muitas almas aconchegadas somos Ermitãs...

Mas a vida corre-me por entre as mãos labirintas...
Os sentidos, de novo, fogem sem sentidos...
E esperando os meus pensamentos esculpidos,
Espero para além as ilusões finitas...


Álvaro Machado - 15:34 - 15-07-2012

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