Baú de recordações


Abria o baú saudosas iluminações
Movia o espaço compartimentos regenerados
E no canto, em poeira, a baixela,
Aproximava contraditórias orações

Levantava-se numa melodia avassaladora
Recordações, lembranças, memórias do que não fui...
Leviana oração ao culto dos mortos
Fugia-me por entre as mãos...

Baços vidros multiplicam-se na sala acorrentada
E todas estas pesadas vivências
Fazem ilusões ao meu espírito!...

Choro a incapacidade de lacrimejar
O vazio do próprio ser que há em mim...
Só a metafísica carrega este acreditar,
Acreditar que há um fim...

Mas longe de mim viver esta inerte vida!
Pois que seja lançado sobre mim, Deus todo-poderoso,
Desgraças que não sejam possíveis de medir

Tu que és a razão desta oração ainda incompreendida
Que levo junto de ti... Ó Deus piedoso,
Quanto de ti estou desejoso.

Porém, passa a avidez no meu sentir
E já só me resta ser um feliz ateu
Para que no meu pensar tu não sejas eu!...

Álvaro Machado - 1:51 - 08-08-2012

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