Regresso




Entra e senta-te a meu lado,
Eu sinto toda a verdade em ti
- Tu, na verdade, nunca hás-de mentir,
Porque todos te vêem.

Posso ver-te bem de perto e és intenso
Ou posso achar-te distante quando desvaneces,
Porém, vendo-te sempre, eu sei bem
Que nunca hás-de fugir.

Vem e senta-te e não penses na chuva.
Deixa-a vir se tiver que vir: é o ciclo da vida.

(ensurdecedor ranger de trovões, de relâmpagos)
"Eu pareço uma miragem; todos me adoram pela cor e pelo brilho,
Mas nenhum consegue olhar-me fixamente. No fundo, sou mau
E ninguém me quer por isso"

(trovoada, por assim dizer, contínua e frenética...)
"A humanidade depende de mim! Eu não dependo de ninguém.
Sinto-me estrela, mas estrela esquecida como tantas outras
Que se espalham pelo universo..."

Reluzes campos, alentas sonhos, cultivas esperanças: só tu.
Tu só, como ninguém o faz. Ó estrela fiel à vida e à esperança,
Chega bem perto de nós e conta toda a história que conhecesses!
Só tu sabes, só tu carregas toda a verdade.

(melhora o tempo, abre o céu, as palavras secam, os sentimentos acordam.)
Agora sente todos estes olhares, que invocas inconscientemente,
Eles sentem a saudade na tua ausência, a mágoa de te não ver...
Vem e senta-te a nosso lado, Rei Sol.

Álvaro Machado – 18:59 – 22-03-2013

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