Ilha dos amores


“Vamos à ilha”, disse ela frenética
Com a voz tão entusiasmada que contagiava.
Perguntei-lhe a ilha de que falava,
“Ilha dos amores” respondeu entusiástica.

E as flores do jardim enchem-se de crianças,
Empolgadas pela energia arrítmica da inexperiência…
Também me leva a ficar empolgado e a reviver as lembranças,
Da turbulenta e ávida infância.

Estranhamente achei a manhã de hoje estranha e confusa.
O céu que se avizinhava azul chega ao fim em plena escuridão
Se o vento também… Toma conta da nossa audição
Que é levada pela corrente difusa?

Mas nada se assemelha a outros que tais,
Insontes do belo dia que lhes espera
Radiosos! Dias esses que não são normais
E a vontade desespera…

Por cima dos filhos e dos seus companheiros
Está um fim de tarde lânguido –
No entanto, mantêm-se debaixo dos sobreiros
Esperando o temporal destemido

E nada sei destas observações que me entoam
Como um som clandestino ao maestro…
Só resta escombros que destapados ouvem
O som do meu próprio astro.

Álvaro Machado - 18:57 - 27-08-2012

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