Domingo de nuvem


Bate-me no rosto um quente sol
Enquanto eu fecho os olhos
E esqueço a humanidade inteira
Como se nunca tivesse existido.

Quero hoje aproveitar o tempo
Que me deixa de consciência aliviada...
Só sentir rajadas de vento calmo
E aceitar a sugestão de figuras para as nuvens…

Os meus companheiros estão espalhados
Ou por árvores de fruto ou por voos ao acaso,
Vão cantando melodias harmónicas
Enquanto o céu, todo ele, se abre
Para que lhe veja a sua cor autêntica
Que nenhum artista há-de nunca pintar.

Um verdadeiro apaziguamento de alma…
Ninguém fale para mim daqui para adiante…
Só quero sentir este sabor tropical
A roçar-me nos lábios, e a felicidade que há
Ao ver a liberdade selvagem dos animais
Que verdadeiramente são e podem ser livres.

E o campo de silvado, defronte de mim,
Dá a sensação de ser um pedaço de terra incomum.
E vai sobrevoando-lhe a borboleta tão branca
Com toda a pureza que há ao ser-se animal livre,
Em sintonia com outras tantas…

E a vila ao domingo é mais bonita.
Ontem sê-lo-ia mais tenebrosa
E amanhã sê-lo-á mais desinteressante
Do que ao domingo, que é bonita
Se estiver sol e céu aberto.

Eu só quero sentir-me assim por mais uns tempos.
Sei que, assim, a harmonia prevalece inerente ao corpo.
A certeza é de que este sentimento é momentâneo,
Que em breve dará espaço a outro sentimento menos bom,
Mas, até lá, continuo a desfrutar por aqui.

Álvaro Machado – 15:24 – 17-03-2013

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