Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2012

Ela, um azulejo de cristal!

Imagem
Ela que parecia azulejo de cristal Cheira ao verde do campo, ao amarelo da túlipa, Defronte, na janela escura, via-a de avental, Ó bela que padecias ruína da Alipa. Vejo atrás de mim um riacho a escorrer, A água transparente vai a correr, Fazendo lembrar algo ou alguém Se é o ninguém... Fá-lo lembrar a velha vizinha que havia ali passado Outras tanta vieram. Mas haviam fracassado Como no tempo não existimos se não porque existimos, E aquilo que o Destino nos havia traçado, Se perdeu, se desvaneceu, e não reflectimos... O porquê de desistirmos. Fá-lo sentir o que não-sente, E relembra o passado, Que fora consequente, D'um homem desassossegado! Contudo, ei-lo diferente, Contrariado na rima desta gente! Álvaro Machado - 16:02 - 29-04-2012

Viagens

Imagem
Travamos tantas batalhas na modéstia exposição Vinham, esbeltos homens, cheios de bravura, Protagonizar acções dignas d'uma fiel gravura E os infiéis resignavam-se à indisposição; Numa inerte acção. Agora já se luta pelo nome no jornal Ócios que fazem ruído na aldeia silenciosa, E as plantas -erguendo-se- despem ao descomunal, Resistindo de maneira triunfal! Ao que julgavam ser a página clamorosa. Em França apressavam-se os intelectuais Lendo, consecutivamente, cartas ancestrais E era em Chateau d'If, Que presos e resignados, Transitavam os de Tenerife. Esperando o usurpador e os povos difamados! Ó princesa dos meus sonhos, que me elevas, Às frias e belas serras d'Evas; Mas este coração já não sente, Desde do tempo do velho clemente «Que havia aclamado antes de morrer, «Que este mundo só nos fazia sofrer» E por ti, e por si só, ao vento escrevia, Palavras que tão pouco sentia... Minha alma, meu calor, Atraiçoou este amor... Álvaro Machado - 14:56 - 29-04-2012

Consílio dos Deuses

Imagem
Não peço desculpa. Os Deuses que me entendam, No consílio Zeus apertara-me a mão firme E Hades que tanto motivou o desespero disforme A outros tantos que se findam. Eu, cansado de mim, ergui-me perante almas divinas Confrontando hipoteticamente o jazigo dos céus, Obscuro em trevas que pareciam ruínas. Aclamei o pensamento perante Zeus! Mas tudo em vão: frases sublimes, terror sem significado As partículas assim como pequenas pedras numa orquestra, Estavam juntas no espaço, mas separadas do tempo inacabado E toda palavra era filosofia mestra... «Bem... Ó Zeus amigo de Hades e de Afrodite, erguei-vos perante Cristo «Pois... Este sozinho transformou-vos no Antigo Testamento, «Pela pedra d'um cálice imprevisto «Jazendo ao isolamento» Parto agora no calor do discurso Caminho triste no perigoso percurso, É no cabo da boa esperança, Que paz a alma de lembrança! Álvaro Machado - 14:16 - 28-04-2012

Nascer

Imagem
Nasce quente, fresco verão Alteza da margem Sul, Enaltecendo o belo céu azul. Súbita visão... Profundezas ásperas de corrias moribundas Deuses, homens, astros e relíquias São linguagem sem fim... E peço-te que me não confundas, Ó sórdido Messias. Pois o que é bom na vida humana? Refrescar? Nas longas margens do Norte sofro insensatamente Luxos que tanto se evita poeticamente E contras ondas se vê dispersar Alaridos na nossa mente... Não sou dono de mim; as horas passam Se sou, deixai-me desleixar, Este coração sem pensar. Amores que cessam Na alma d'triunfar! Álvaro Machado - 19:15 - 27-04-2012

Desvanecido

Imagem
Esqueço e deixo-me perdido! Viajo louco e desvanecido; Entre uma sonolência, Repleta de excelência. Tão banal está.. mundo desigual Onde novos vêm-se velhos, E trocam o conhecimento por fúteis espelhos Enfim! Luz de fundo sem final. Há ciclos úteis na inutilidade de os ser E sulfurosas cartas ancestrais, Brilham teus lassos sais. Ó razão do conhecer... Precipito o cachimbo ao suicídio, Ele berra de dor o silêncio da vida. Que inocência no fundo do corredor, o acrídio, Na vanguarda perdida. De repente, deixo de ter, Apoplexia - quase a morrer - Deambulando até ao fim, Correria ao festim! Alberto de Régio - 15:42 - 26-04-2012

Sem significado

Imagem
Voou tudo que não quis Bate asas, livre perdiz Num céu azul fusco, Teu sonho brusco. E tudo que não sei Por breves momentos, Esqueci sofrimentos Já não me lembrei. Parti, transeunte, à velha cópula Nela.. Vivia a rainha Gagula, Velha, desgastante, sem cor Que mundo! Que horror... No azul do oceano; alaranjado sol Corriam ventos distantes de mim E a breve alma viu por fim, Alto e forte farol. Álvaro Machado - 15:00 - 26-04-2012

Quases

Imagem
Quando vi, pedi, fica comigo. Mas foi em vão. E no frio dos sentimentos havia palavras neste coração, Eram quentes e verdadeiras; espalhadas em tal divindade, Onde eras tu a minha felicidade! Nunca gostei, nunca... E se gostei, nunca fui adorado, Pelo sonho que senti nesta tarde íntima Fel e consagrado Sempre costumei, sempre... Ver as grandes maravilhas Interiormente - soltando uma lágrima - Quebra-se a cavilha E quase cego, imaginei. Velha mansão, Irónica em desgostos férteis Causava impulsos febris Ao longo da invocação! Álvaro Machado - 17:41 - 25-04-2012

Afogou-se o navio

Imagem
Dizia-me o comande: «-Tomem as vossas posições «-Naveguemos contra as superstições !» Aquelas palavras davam real alento, Ao monótono desatento Os marinheiros ripostavam: «-Nós, ilhas no mar, navegamos sem receios; «-Nem os ingleses nos afrontam!» Aquelas certezas davam certos calafrios, Ao exército que eles defrontam. E eu, abstracto, reflecti: «Que vida, que sensação! Que discurso meu capitão! E toda marinha, intransigente, Elevou-me a gente» No fundo do navio havia uma mulher a cantar: «Sofri a desencantação Naufragando até ao pacífico Ó marido do meu coração Sozinha e só, assim fico!» Anos passaram, a água esgotava Riachos surdos já se não faziam ouvir E ao fundo, as mulheres, ousavam pressentir, O navio que ali se afogava... Álvaro Machado - 16:59 - 25-04-2012

Dia não sentido

Imagem
Falam-me de um dia que não sinto E balbucio o momento. Confrontando o camarada na rua, Desvio a cara à lua. Ó mulher que tanto gelas-te este coração! Que tanto desmoronaste um futuro de acção, Onde haviam pássaros e árvores, mar e terra, E agora resta somente pedaços de terra? Num futuro incerto se desenlaça, A triste história de Mombaça. Repleta de inércia e estrangeirados, Pobres desafortunados... E vim desabafar, Pelas letras naufragadas, E esperei - quase a abafar - Em longas jornadas. Morro. Mas ainda espero. Desisto. Mas ainda aguento. Pois bem escreveu Homero, O cego sofrimento. Álvaro Machado - 16:56 - 24-04-2012

Evoluindo

Imagem
Na evolução caí em solidão, Dispersado pelo vento esquecido. Soam hastes no meio da revolução, E afogava-me o vão, Ao esquecimento! A rua que tantas vestes dispõe Abusam a irrealidade, estimulam o ego, Simplesmente ao chorar navego... O que este traje dispõe. E as palavras - que infelizes cantam, Dor por alguém - que plagia; Baseadas no erro da iconologia Coisas que desencantam.... Subitamente ao calcar a planta murcha Avisto, o povo, em praça pública: Idiossincrasia - ao monte - pela marcha, Gritando roucos, encarnando loucos, Marcha diabólica! Álvaro Machado - 21:11 - 23-04-2012

Triunfos Passados

Imagem
Vai à parte, triunfal, o povo romano, Ó César Augusto que transformaste, Este império numa memória! No «Coliseum de Roma», rumo à vitória, Estão aqueles loucos que ali colocaste! Travando batalhas d'um povo transumano. E nunca precisarmos de ti é ilusório... Deixá-los vaguear em falso reportório, Na vastidão da ignorância. E se é tão vasta como dizem, Perde toda a fragrância, Ó professores que maldizem, Ó físicos que metalizem, Esta essência! O cajado atrai a malta à Vila. E os pastores alegremente, Constroem um futuro diferente. E as mulherzinhas comem doce de Chila, Todas elas vãs e fúteis, Ei-las inúteis. Álvaro Machado – 17:57 – 19-04-2012

Desvairada água

Imagem
O quão desvairada vai a água.. A escorrer pelo esgoto, Cheia de mágoa. E a casaca que carrego, Cheia de amargo borboto, Estimula o ego. Enquanto isto, vêm uma reflexão: Quando crescemos perdemos a piada, Mudamos a aparência - que fica desinteressada, Perdendo a noção... Chove: este ar, esta névoa, causa impressões De cabisbaixo, o barbudo, vai a contemplar, A razão da ciência falhar, Nas suas acções. Álvaro Machado - 21:21 - 18-04-2012

Café d'ideias

Imagem
Estou sem estar no café de ideias. Uma rapariga inocente ali defronte, Lê uma revista desatenta, criam-se teias, E a chuva dá-lhe alento no horizonte. O conteúdo não tem perspectiva, Folhas foram gastas.. em vão.. Firme, contudo, envergou um guião, Tornando-se altiva. Como esta há milhares, Como os há vulgares, E detestam o sabor da vida, O não-ser que se finda. Mas eu ainda no café, sem pensar, Via figuras ao som do vento, Todas elas, dispostas num juramento. Sentia a chuva ali passar, Fazendo o povo desertar, N’um triste pressentimento! E tudo caiu num tragédia clássica. A cortina desmantelou o primeiro acto, Ao som da peculiar música! Se deu a tísica no manto. Era indiferente o espaço, apesar de achar, Ser um tanto estranho o lugar, «C’est magnifique» disse-me o lacaio, Tão impertinente! Calores de Maio, Na cidade de Paris; que me vi sonhar… Álvaro Machado - 15:30 - 18.04-2012

Durante a noite

Imagem
Toda a noite vestia cores de amargura Descia à minha ideia, quase esquecia, Aquele tom de pele, aquela brancura, Padecia... Enquanto imitava o sonho - a sonhar, A dor crescia, o coração acelerava! Um belo vestido branquejava, Pela aquela que encantava, O infeliz só de pensar. Não durmo.  O anjo prevalece. Alma que não tenho, Sonho que enaltece. Ainda assim, me contenho, Se me entristece. Em horas mortas à luz da lâmpada, Recordo toques, sensações, histórias, E choro as minhas memórias! Pela montanha gelada. Álvaro Machado - 17:33 - 17-04-2012

Estou, estás, somos

Imagem
E eu... Que estou aqui no deserto, Perdido na essência do amor, Escaldado pelo calor abrasador, Sentindo grande tormento! E tu... Que estás perdida no mar, Achada no meu ignóbil coração! Sou um infeliz que julga amar, Sem exactidão. E nós... Que somos distintos, Personalidades longínquas e vagas Para no final virmo-nos famintos, Por apetitosas mangas! Álvaro Machado - 16:14 - 17-04-2012

Chamamentos

Imagem
Ó vento do meu pensar, nuvem do meu saber, Vem-me náuseas sublimes sem conhecer. Persiste o empregado dá mesa redonda, Para que eu estimule a onda! Ele é um tanto inquieto e provoca ânimo Todos vão a seu café de manhã E eu vou-me abraçado ao heterónimo, Na brisa do amanhã... Tudo está sem tudo: numa região juntam-se, Na tradicional conversa do povo, Horas e horas se vê passar. E eu, que tão bem me fazia conversar, Fico só. Eles congratulam-se, Na gazeta do novo! Álvaro Machado - 17:02 - 15-04-2012

Enganos

Imagem
Tempo e vontade é o que me falta Alberga-se-me uma impressão, Que é repentina.. Efialta! Desvairada sensação; Querer e sentir é o que me não deram, Ainda assim julguei que fizeram. Raciocinar ao sol e perder à chuva.. Cálice de uva! E tudo me faz pensar.. Há razão para além da razão? Há sentimento para além de não o sentirmos? Envergo a deambulante sensação, Irracionais nos sentimentos. Álvaro Machado  14-04-2012

L'arte

Imagem
Na arte não somos felizes, somos dignos, Expressamos o valor, o dom, o momento. Sem ti ó arte do mundo não éramos fidedignos, As riquezas morrem. A poesia é lamento! Contento-me com a solidão de estar só: Devaneio cumprimentos, deambulo em larguras, É difícil de contemplar um só nó! Vou-me abaixo em certas alturas. És de onde pagão? Do ramalhete? Nem me responde.. Vacila. Ainda bate coração; recorda lembrete; Desaparece na névoa da vila! E choro o seu amor, a sua ternura, Alma de tal bondade. Caminhou, Pelo palácio numa perigosa aventura, Pobre que desertou... Isto.. É apenas um desespero, Se tornou grande e infinito Esqueço. É-lo bendito. Álvaro Machado - 13:08 - 14-04-2012

De bom grado doí a vida

Imagem
É-me de bom grado dito que doí a vida Mas que sabem eles? Escuto sem atenção Paro e penso. Vou-me numa ida, Sem pretensão. Nós que - sentados - víamos a chuva cair Ríamos a lágrima irónica da vida sem sentido Com real certeza que era-nos incerta sobressair; Julgo, firmemente, nunca ter nascido. E eles que por ali passavam choravam ocasionalmente Fitavam-nos. Recordar-te-ás do empregado que havia passado, Em uma noite fria, escura e degradante, Por ali tristemente... Dar-se-ia um eclipse num oceano de luas; viver-se-ia tentado, Ao amor impossível, ao abraço improvável, ao afecto insensato! É-me difícil porque é algo vão. É-lo desnorteado! Na rua vã vai-se o ingrato.. Há muito que não vejo o caminho. Sinto o vento Refresca a memória e leva o meu lamento, Para um lugar longínquo mas perto de mim. Álvaro Machado - 21:36 - 13-04-2012

Suplico numa dor dolorosa

Imagem
Suplico numa dor dolorosa, estranha, inultrapassável Perco a voz que nunca tive para te dizer, O quanto sofro! Fito destroçado sem conhecer, Uma voz doce e amável! Ó minha dor que não és minha, Eras o sofrimento que continha! Mãos que transpiram; coração destroçado; É-me difícil. Sou-me ultrapassado. Que vida.. É-me um passatempo doloroso, Morro em exaltações, desfaço belos quadros, D'uma arte sem igual. É-me tudo horroroso, As vestes, as ligações, os funerais, Que são costumes sem ideais! Um poeta Chinês evidencia contrastes, Lança à rua belos e aclamativos trajes, Afoga ao longo da costa, no Rio Ganges, A moda. Que é mundo de desastres! No meio de tanta depravação, Um, como outros tantos, rema ao mar, Em ondas fortes perto de naufragar Mas não desiste. É sua vocação, Ser-se marinho de coração! Espalha cedo a notícia que morreu, Abandonou-nos. Choro sem igual Superava a melodia d'Chacal, E a província de Eliseu: Suas ilhas; suas mansões Não ia nas especulações. Evaporou o co...

A arte de mentir

Imagem
A arte de mentir aperfiçoa a verdade de sofrer: Disperso em versos sofrimentos imaginários; Prolongo uma vida sem verdadeiramente me conhecer, Vivendo somente para os meus literatos! Dando-se-lhe tal esbofamento desesperado entre o hinográfo Que tanto cantou os feitos portugueses, mesmo para além da lua! Agora vale um desdém. Lançou aos estrangeirados num mediático paragráfago: "O português intelectual de rua"; E enquanto via, pensava; e por ali andava desconcertado, Um vaso em barro que havia sido importado! Pobre mentes que desconhecem e dão-lhe nome Fazem-no português, e sempre relembrado, Nasceu milhafre, criou-se pronome, Rapidamente era objecto de renome! Vaso que se entristecia, sem origem, sem pátria Envolta o povo num incosciente mistério Nascem-lhe pétalas n'outro hemisfério, E nos aceitámo-las. Sem identidade, Acostumados a esta doçaria, Contemplando a sua vivacidade! Nesta madrugada em que estou, não de agora, de antigamente Relembr...

De novo a viajar

Imagem
Bem me sinto de novo a viajar, Liberta a mente, fá-la acreditar, Que no sonho há algo mais Transcede a realidade, Promulga à liberdade, Anos tais! Nessa viagem atribulada Tinha dores mentais A minha cabeça encorralada, Sabia da história passada, Naufragada no cais. Parei no meio do deserto, Contemplando ao longe Barbas idênticas às d'um monge, Mas nada era concreto! Continuiei ao relanto das areias E perdia-me em fumeiras! Tudo estava tão alegre e triste! Eles riam, eu chorava, Sem nada que verdadeiramente aviste! A não ser, esta alma que desinteressava! No fundo de tudo estava alguém gravemente doente Seria do coração ou da vida? Nem ela sabia, Entristecia não viver como outra gente, Cheia de vida e inocência: Seus olhos olhavam o horizonte, Fixavam o sol.. Miravam as estrelas Depressa se juntou na ponte, Fitando o espectáculo delas! Álvaro Machado - 17:15 - 10-04-2012

Há muito tempo atrás

Imagem
Há muito tempo atrás, mesmo antes de ter nascido, Um sol fulgente me atraiçoou. Causou-me arrepios, Entre a névoa do buraco negro perdi o sentido! E entristeci em lugares sombrios; Não confiemos na arte do bem falar, São seis da tarde e está tudo a desertar: Esvai-se as moradias pela razão do costume Só resta a destreza da figura peculiar, Lutando numa praça pública ao lume, E nunca.. Jamais, perto de vacilar! Foram anos, agora são séculos, futuramente a eternidade! Sofre-se numa iguaria Oriental, fuma-se num cachimbo mediático, Padece o palácio com vista sobre o mar báltico, N'uma miragem abismal amalgama em nebulosidade! E cá estou para te contar esta minha farsa, Desde que existo. Lembrar-te-ás do meu nome? O rosto lívido que desprezas-te em Alcobaça? Criatura «já não tens amor»; nem tão pouco fome! Procuras-te - de forma irracional - fama e glória, Derrota nunca quiseste. Apenas a vitória, E aquando escrevi isto o belo céu Mudou a expressão e ficou-lhe a saudade, No ar. De re...

A brisa acrítica e agreste

Imagem
Ouve-se o vento ao caminhar Numa brisa acrítica e agreste Vêm-se poetas de leste, A este Portugal observar Os grandes costumes Dos que por aqui passaram E deixaram: A réstia de esperança, O calor da lembrança, Tudo.. Impresso nos volumes! Que é a vida, que é o infinito, Que é a imortalidade a que fomos expostos Que é o fim a que estávamos dispostos, Percorrer este caminho. Seja bendito, Ou mal dito! Mas que se diga! Percorrer, escrever pela cantiga! E deixei-me de viver.. Cansei-me de esperar! Reza-me o destino que nunca hei-de encontrar. Que borboleta, reflecte poisada Que homem, estimula um espectáculo Solta um veloz risada Influência o obstáculo! Levianos os jovens que desmentem Quão levianos são Os mestres sem coração? Álvaro Machado - 14:58 -09-04-2012

A infernalidade dos costumes

Imagem
Tocam os sinos a infernalidade dos costumes Percorre por entre a família o fotógrafo, Apanhando (em ângulos) este tipógrafo, Que suscita os gumes! Vens uns de fora com roupas coloridas, D'uma Primavera turbulenta E os de cá, tenebrosos, de faces oprimidas, Andam numa correria lenta. Saem dos armários: formalidades supérfluas, Sedas alegres, camisas saudadas, Em acções tão descampadas Jazem-nos à imaginação, A alegria desta ocasião! Só sorrisos! Só amor neste ar insuportável! Estou-me inverso à sombra de Deus, Eu vivo da sua luz - que é incontestável! Imensa-me num turbilhão de ideias, Altera (e por vezes acaba) inúmeras hipocrisias. E será que me ouves ó Deus? Agora vou-me para o meio deles por não os negar Em outra vida oponho-me a estes regimentos, Mas por agora não. Convêm este sossegar, Para se pregar em templos ensinamentos: Hierarquicamente relembrar! Álvaro Machado - 15:14 - 08-04-2012

Cavo a própria sepultura

Imagem
Cavo a própria sepultura, Ilustrando poesia a nado Invoco o Ignoto aventurado Para perceber se havia lembrado, Das coisas daquela altura! Algures no céu fitei uma rosa Entre as nuvens: umas leves, outras pesadas, E sem as distinguir consegui diferenciá-las, Ao som da Lacrimosa. Sendo assim, sou um vácuo sem ilusão, E fino-me à escrita procurando solidão, Ela eleva-me o coração aos céus, Atravessando pequenos ilhéus Pressinto que ao longo dos anos Relembro o passado, esqueço o presente, Não vivo o futuro. Repentinamente, Apercebi-me com excessivos abanos Aqui e ali ouvia uma balada Chegava perto e depressa me encantava, A melodia daqueles rostos. E via apurada, Toda aquela embaraçada. Alberto de Régio - 22:39 - 06-04-2012

Ó saudade

Imagem
Ó saudade que tanto me tens faltado Só por ti a senti, só por ti tenho chorado Bem me consolavas quando lacrimejava Únicos e precisos tempos que passava! Que queda tão aparatosa e estranha Subia - calmamente - num consolo desesperado, E sacudia a poeira, arremessava a manha, Tão saudosa como havia pensado. Sente-se no ar um vazio. Uma dor em espiral Nos campos esverdeados canta o rouxinol poisado, Melancolicamente. Enquanto o havia avisado, O céu concentrou um precipitado temporal, E eu vi-o fugir para Sul, naufragado. Álvaro Machado - 22:22 - 06-04-2012

O Sorriso que inda agora contemplei

Imagem
Oh! Que sorriso o que inda agora contemplei: inútil mas peculiar! Obrigou-me a viajar - transeunte - para um paraíso invulgar, Mergulhando em marés frias apaixonei-me à distância, No caminho para a Alfândega bronzeava chuviscos a cair, E ela lenta.. Tão audível! Fazia sobressair, Esta minha ânsia. Fitei, de relance, uma orquestra de movimentos, E que belos eles eram.. Apaixonei-me sem reacção, Durante longos períodos inertes; cheio de esbofamentos, Por esta alma divina diferente de toda a nação. Mas aquela viajem não era destinada a poetas, Alguns - julgo eu - traçavam ásperas metas, Para no final, escrever e imaginar, Tal fogo, tal olhar! Longos períodos em jornadas pertinentes, Elevei-te à dimensão não das estrelas, Mas de Deus. Eras daquelas belas! Em quem tudo podia confiar (inconscientes) Categoricamente ei-las benevolentes! Como aquelas que emergem do mar, Formosas; com um belo cantarolar, Para no fim ir-se dispersar.... Alberto de Régio - 22:00 - ...

Entre um soneto

Imagem
Tanto ritmo, tanta melodia análoga, entre um soneto, Que usam - prontamente - para te mostrar, Palavras erradas, sentimentos que julgam dispersar, Inconcreta combustão com cianeto! D'outra forma, d'outro costume Estonteia com pouco à vontade, O bibliotecário. A sua palavra gera azedume, No meio da multidão, pela incontestável verdade! Aprecia costumes de um Ocidental Que sabe onde está o bem e o mal E com toda a sua perícia, Avassala a carícia. Ele canta-lhe todas as noites de lua cheia, Sonetos bem pausados, Versos bem pensados, Tão preciosos como uma epopeia. Dizendo a verdade, No meio da herdade, Escondo-se de um familiar, E sem pensar: Diz-la amar! Álvaro Machado - 18:39 - 06-04-2012

O atormento dos carris

Imagem
O atormento via-se ao longo dos carris, gente que viajava, Feliz e infeliz, emocionada num desdém ignóbil A paisagem.. Mantinha o olhar imóbil, Quem entrava trazia consigo a miséria exterior, Contemplar-se-ia com algo inferior, Algo que por ali passava. O silêncio não se ouvia, não existia. Havia desertado Tanta viva alma que falava em tons berrantes, Com um diálogo repleto de conversas desinteressantes. E ainda assim eu autenticamente escrevia uns versos, Colocava-os nos cafés em folhetins impressos, Julgando assim ser um dia relembrado! Mas eu nunca deixei de ser um admirado pela inocência Tantas paisagens que imaginei.. Tanta vida que não vivi! Dei prioridade à metafísica e à eloquência, Para mais tarde saber que já vi, Este retrato, esta essência. Álvaro Machado - 14:51 - 06-04-2012

Hoje fui a Itália e vim

Imagem
Hoje fui a Itália e vim, num piscar de olhos, Fitei ruas fundamentadamente alegres. Nos rios de Florença estava a beleza do renascimento! Pairava no ar a magia de «Da Vinci» e do seu descobrimento, Grandes invenções.. Genialidade única; Há quem diga que deriva dos genes. Diferente pronúncia, língua igual, Faz-me recordar o vasto império, E as ilhas? São um ermo ritual. Oceano profundo, desconcertante hemisfério, Isto que anda por aí.. Não é consensual! Escrever poesia à moda italiana Pergaminhos da cidade santa Ressuscita a opereta - a mulher como canta! Verossímil semblante defronte de mim, Transforma o início em fim, E despoja a vida quotidiana! Já quase que chego a Veneza alegremente, Viajo nos barcos conscientemente, Até que, sem me justificar, Parei o barco. O mar morrera, E eu fiquei ali.. sem saber se havia de continuar! Do nada contemplei uma bela luz, que ali aparecera, Era o marinheiro com boas novas de César Augusto: Afirmando, friamente, ser-se um homem justo! Desmaio em ...

Nos altifalantes da cidade

Imagem
Longa caminha nos altifalantes da cidade Cada um puxa para seu lado, lado diferente, O fel que uns tanto evitam em prol da felicidade, Outros ressuscitam, de maneira inerente, Desta gravura.. Desta anualidade. Dicionários, alfândegas, mercados ao ar livre, Negam o talento d'um jovem escritor! Despedaçam o cultivo daquele agricultor, Em troca aos trocadilhos baratos, Descrevem-se em belos fatos! Benevolência completa a inércia, afoga a chama, Gritam-me alto: "Corre e busca a fama"; Inocência equivalente a pura irracionalidade! Não me ensinem caminhos, ensinem antes, Destinos novos e deslumbrantes! Sim.. Isso é a verdadeira felicidade! Vagueio por estar na plenitude, por estar a sonhar, Na verdade sou eu.. Em horas vagas, a julgar, Visão apurada, tacto fictício, audição surda, Morre-me a fruta interior; e a gente está muda! Estrelas alentam o futuro, nascentes estimulam, Sentimentos que se afundam! Vai-se na rua Alberto de Régio cheio de contradições, E defronte de si est...

Acendo o cachimbo

Imagem
Acendo o cachimbo que é vida Fumo-o em pé de igualdade, Com os Deuses da grandiosidade, Da-me tosse e sorrio a esta ida! Estou cansado, louco e desvairado! E tão pouco procuro saber, Se há ou não coisas a fazer, Porque no fundo estou embriagado; Cai para o limbo.. Genial inocência, Entre o convento e a essência, Estava esta alma que zelava, Pela gente que ali passava; Isto aqui.. É tão agradável, Respiro campos verdes, mergulho nas águas profundas, Acolá.. É tão desagradável, Expiro náuseas azuladas, exaltas-me sem que me confundas, O fumo começa a criar uma névoa E o pássaro logo voa, Para lugares em que possa cantar, E que realmente possa confiar. Alberto de Régio - 17:20 - 01-04-2012

A criatividade

Imagem
A criatividade do silêncio suscita o som do mar Desarticula movimentos prolixos, Em carestia de versos que têm de rimar, E de ser fixos. O vento sopra ao ouvido a arte de ouvir O sol translúcido dá cor às almas falantes A neve impede a elevada fasquia de conseguir, Prosseguir os caminhos distantes. O meu dom é demonstrar, Que vivo para relembrar, A inércia de uma vida exigente, E tão pouco abrangente! Doí com excessiva dor ver este corpo lasso Ali defronte num despido fracasso, Sem racionalidade, sem traços de personalidade, Ainda assim com alguma habilidade Chora sem vontade a natureza formosa, Evoluí as impressões majestosas , E por vezes um pouco tempestuosas, Da flor fresca e harmoniosa! Plantas dão-nos vida, dão-nos ar Para que, corpos transeuntes possam respirar, Todavia tudo isto é em vão! E para quê tal sermão? Onde está o sim, está o não. No fundo da rua avisto um navio de pessoas Içam a bandeira desconhecida Desconectam o único remar Levando-os para longe do mar, E para per...