A arte de mentir


A arte de mentir aperfiçoa a verdade de sofrer:
Disperso em versos sofrimentos imaginários;
Prolongo uma vida sem verdadeiramente me conhecer,
Vivendo somente para os meus literatos!

Dando-se-lhe tal esbofamento desesperado entre o hinográfo
Que tanto cantou os feitos portugueses, mesmo para além da lua!
Agora vale um desdém. Lançou aos estrangeirados num mediático paragráfago:
"O português intelectual de rua";

E enquanto via, pensava; e por ali andava desconcertado,
Um vaso em barro que havia sido importado!
Pobre mentes que desconhecem e dão-lhe nome
Fazem-no português, e sempre relembrado,
Nasceu milhafre, criou-se pronome,
Rapidamente era objecto de renome!

Vaso que se entristecia, sem origem, sem pátria
Envolta o povo num incosciente mistério
Nascem-lhe pétalas n'outro hemisfério,
E nos aceitámo-las. Sem identidade,
Acostumados a esta doçaria,
Contemplando a sua vivacidade!

Nesta madrugada em que estou, não de agora, de antigamente
Relembro tudo: paisagens, retratos, costumes; tudo o que perdi,
Desenvolvimento? Inovação? Desolado pelo costume no Oriente!
Os de agora querem novidades; precisam de tal expoente,
Para se relembrarem. Eu não, eu choro o que nunca vi,
Consolo-me pelo que jamais senti!

Álvaro Machado - 14:03 - 11-04-2012

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