De bom grado doí a vida


É-me de bom grado dito que doí a vida
Mas que sabem eles? Escuto sem atenção
Paro e penso. Vou-me numa ida,
Sem pretensão.

Nós que - sentados - víamos a chuva cair
Ríamos a lágrima irónica da vida sem sentido
Com real certeza que era-nos incerta sobressair;
Julgo, firmemente, nunca ter nascido.

E eles que por ali passavam choravam ocasionalmente
Fitavam-nos. Recordar-te-ás do empregado que havia passado,
Em uma noite fria, escura e degradante,
Por ali tristemente...

Dar-se-ia um eclipse num oceano de luas; viver-se-ia tentado,
Ao amor impossível, ao abraço improvável, ao afecto insensato!
É-me difícil porque é algo vão. É-lo desnorteado!
Na rua vã vai-se o ingrato..

Há muito que não vejo o caminho. Sinto o vento
Refresca a memória e leva o meu lamento,
Para um lugar longínquo mas perto de mim.

Álvaro Machado - 21:36 - 13-04-2012

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