Dia não sentido


Falam-me de um dia que não sinto
E balbucio o momento.
Confrontando o camarada na rua,
Desvio a cara à lua.

Ó mulher que tanto gelas-te este coração!
Que tanto desmoronaste um futuro de acção,
Onde haviam pássaros e árvores, mar e terra,
E agora resta somente pedaços de terra?

Num futuro incerto se desenlaça,
A triste história de Mombaça.
Repleta de inércia e estrangeirados,
Pobres desafortunados...

E vim desabafar,
Pelas letras naufragadas,
E esperei - quase a abafar -
Em longas jornadas.

Morro. Mas ainda espero.
Desisto. Mas ainda aguento.
Pois bem escreveu Homero,
O cego sofrimento.

Álvaro Machado - 16:56 - 24-04-2012

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