A infernalidade dos costumes


Tocam os sinos a infernalidade dos costumes
Percorre por entre a família o fotógrafo,
Apanhando (em ângulos) este tipógrafo,
Que suscita os gumes!

Vens uns de fora com roupas coloridas,
D'uma Primavera turbulenta
E os de cá, tenebrosos, de faces oprimidas,
Andam numa correria lenta.

Saem dos armários: formalidades supérfluas,
Sedas alegres, camisas saudadas,
Em acções tão descampadas
Jazem-nos à imaginação,
A alegria desta ocasião!

Só sorrisos! Só amor neste ar insuportável!
Estou-me inverso à sombra de Deus,
Eu vivo da sua luz - que é incontestável!
Imensa-me num turbilhão de ideias,
Altera (e por vezes acaba) inúmeras hipocrisias.
E será que me ouves ó Deus?

Agora vou-me para o meio deles por não os negar
Em outra vida oponho-me a estes regimentos,
Mas por agora não. Convêm este sossegar,
Para se pregar em templos ensinamentos:
Hierarquicamente relembrar!


Álvaro Machado - 15:14 - 08-04-2012

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