Ouvir ao longe




Oiço qualquer coisa fora de mim.
Pressinto estar longe, a algumas milhas,
Tão longe que se ouve pouco ou nada
Deste som que oiço dentro de mim.

Oiço: com o frio deste inverno, dentro de casa,
Encostado à lareira, a ver as horas passar;
O que oiço é uma saudade - é a noite lúgubre
Que se aproxima imperceptível...

Ao ouvir longinquamente, quero ouvir o Mar.
Se o ouvir é porque estou longe como ele.
E há que sofrer também com a vida,
Se o amor na nossa vida não se cruzar!

Mas, é a ouvir que eu me acho transparente
Como a água deste Mar...
Eu, que tanto vou na margem como na corrente,
E o Mar tanto hei de amar!

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