Cru.


Não entendo o que penso,
Porque sinto uma inércia em viver, em sentir, em querer manter-me aqui.
Às vezes acho errado o meu começo, não mereço.
Mereço apenas o fim, acabar, desaparecer, esfriar...

Não quero sentir-me mais, não quero pensar no futuro que não será meu,
No passado que me destruiu, no presente que me desespera...
O horizonte que há muito é, para mim, apenas um sinal de que vou acabar...
Há muito que o sol não doira nem a lua me cativa como dantes...

Já não sei como era; acho que já fui feliz alguma vez...
Mas agora o meu pensamento está maduro e não me deixa voltar a ser o que era
- Que ele agora nitidamente vê o desgosto que me circunda, os maus sentimentos, que me abalam drasticamente...

Tenho isto e não tenho mais nada.
Recusei ser mais um, quis ser um doido que escreve e que sente
O que a humanidade não vê.

Álvaro Machado - 02:30 - 21-12-2013

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