Destacado para o exílio


Correram águas de Portugal...
Correram ventos frios da terra...
Meu coração provençal...
Lembrara a rainha de Inglaterra...

Ela que de bela tinha tudo
Com uma prontidão e arte
Ripostou num aparte
Deixando o sonho mudo

Assim... A água separou-se do vento,
Nascendo e morrendo a cultura portuguesa;
E nada alcança o actual pressentimento
Na lembrança que lembrei à Condessa

«Ó bela condessa, correcta rainha, minha majestade!
«É-lo só para mim... Partilhar-me-ás com alguém mais?
«Paz minha alma ao ver que duras para além da eternidade
«Sim tu... Rainha dos demais!»

Mas de repente, espero que me entendais
Fui forçado ao exílio; procurei ideais melhorados
Fugi. Por entre os muros quebrados,
Aos inúteis regimes ditatoriais

Progride, em passo rápido, o valor da infelicidade
Onde só há tempo para belas moradias
E já lá vão os tempos das intimas romarias
Onde eu ia em busca de felicidade

Passa o tempo... Meu amigo Quartermain...
Partira o barco a vapor sem nós,
Deixando a bagagem a sós;
Longe de Bombain.

Álvaro Machado - 19:50 – 15-05-2012

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