Repentinamente


Sentado no quarto, sem inspiração
Ali eu estava à beira da caneta.
Quando, de repente, poisa uma borboleta
Sobre esta janela, encostada ao candeeiro.
Desceu dessa janela uma nova contemplação.
Ali estava eu, agora feito de companheiro,
Sozinho com aquela miniatura, os dois escutando
O silêncio desesperante onde tenho estado...

Apaguei a luz deste quarto. Cessa a corrente.
Sorte dela por estar perto da janela e não dentro.
Ali vai ela, voando desinteressadamente
E eu a vê-la daqui de dentro...
Vai longe já, como sempre esteve por cá...
Procura a luz aos cantos do vizinho.
Solitária borboleta fugida de meu quarto
Volta junto de mim porque estou sozinho...

Álvaro Machado - 21:06 - 06-10-2012

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