Tempo que é nosso


O tempo que é nosso
Que vai e volta num ápice
Como fugindo entre mãos
Já nosso não é…

A pessoa que está junto de nós
Que está tão perto, sobre a pedra,
É a figura que nos acalma
Mesmo quando nem existe

Como que rainha fosse sobre o altar,
Que é nosso apenas,
Ergue-se a voz submissa
E a figura desvanece ao cessar…

Agora, que nada se espera,
Venha a voz, o tempo, a rainha
E não haja mais memória
Deste rascunho que nosso não é…

Passa tempo em escrita fúnebre
Como que iludindo nossa voz
À realidade sombria que se ergue
Sobre nós, a distância destes mundos…

Ó exterior ergue-te, salva-te
Por não seres mais que impressões dispersas!
Eu sou independente do que julgo ser
A probabilidade do não-ser…

E tu, interior de contrariedades, chega-te a mim
E vamos supondo coisas e sentimentos
Só interiormente, porque sofremos
Como nunca haja um fim…

Álvaro Machado - 16:30 - 17-10-2012

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