Sacrificado




Não me foi dada a esperança
De um futuro p'ra crer
E ainda há uma herança
Que me espera receber

De braços abertos, estendida
Sobre o horizonte.
Ai, que estou perdido p'ra sempre!
Ai, que a alma está perdida!

Vagamente me falam que nasci
E sou habitante do planeta terra,
Mas como hei-de garantir que vivi
Se mais tarde alguém me enterra?

São perguntas a que jamais hão-de responder
E com que ninguém se reconforta.
O meu acreditar são os sonhos que sei ter
Quando minha alma se descobre morta.

E tu és o rapaz nascido dos sacrifícios
Em que ninguém se há-de nunca importar...
Ah! Entrega-te aos comícios
Com quem nunca há-de te amar!

Cruza os braços e desiste desta dor.
Viver é só para quem tem um amor.
E tu és o rapaz que nasceu para se sacrificar
Quando ninguém te soube admirar...

Álvaro Machado – 20:49 – 30-01-2013




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