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De um terraço…

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Esquecidos do tempo.

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Traçado

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A noite é a solidão de todas as almas.
É o precipício em que ninguém quer cair.
Nenhuma quer ser só.
Morrer só.
Cair em esquecimento para sempre.

Mas eu escondo-me por entre a noite,
Em lugares recônditos mais sombrios
Do que a própria noite conhece.
E tomo consciência disso
Como alma perdida que sou...

E de que me vale sentir tanto
Olhando a lua, achando sublime a vida, amando outros planetas?
Hei-de acabar como comecei: na indefinição eterna de todas as sensações!
Um dia isto não será nada e o barco há-de também partir
Rumo para qualquer coisa chamada de fim...

Álvaro Machado - 22:11 - 20-11-2013

Quem eu sou?

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A minha alma não tem dono,
Nem lugar e muito menos sentido.
Tem caminhos dispersos e ao abandono
E um frio, de vez em quando, pressentido.

Não tem horizonte que lhe alente de esperança,
Nem sol nem luar que se lhe venha a surgir.
É um todo sombrio que me tem vindo a possuir
Desde que deixei de ser criança…

Os sonhos, por vezes, são amálgamas
Que nem são vida nem são sonho;
Pertencem a um ser enfadonho
De dispersas almas…

É impenetrável, saudosa, sozinha
E para sempre será minha!

Álvaro Machado – 21:04 – 16-11-2013

melodia.

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da salvação dos tempos
que urge disperso no céu
não sei se são lamentos
ou o destino que é meu...

mas circunda em minha volta
aquele daquele do outro astro-rei
uma ponta que se vê solta
e que eu não sei se a amei...

doira e estende-se
entre o café do entardecer...
volto-me; e o coração arrepende-se
sabe, não sabendo, que ninguém o quer...

e todo o olhar cerrado
entre a multidão escrava
fora o meu sentimento abandonado,
de nada ninguém o encontrava...

até que, lá ao fundo, disperso,
parecendo o céu quando escurece,
é o meu coração tremido em verso
que nunca de nenhum sentimento se esquece!

Álvaro Machado - 14:55 - 11-11-2013

Mera lembrança.

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Lembro-me de estar sentado
Sobre a minha consciência
E pensar, com muita inocência,
Que Deus estava ao meu lado.

A vida poderia ser sempre assim,
Calma, de plenitude dotada;
Seria tudo melhor para mim,
Viveria-a muito menos atribulada...

Só que o momento seria de não-lucidez,
Seria um estado superior...
Transformar-se-ia glorificador
E ninguém saberia quem o fez...

Leonard Sagè - 22:14 - 09-11-2013

Vós.

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Nunca verá a luz do dia
A criação
Nem ninguém a veria,
Se é o corpo vão..

Nem, em vós,
Encontrareis
Ao fundo do decurso a voz
Do que nunca sereis…

Porque ela tem existência
Noutro lugar
Para além da consciência,
Aquém do que é amar…

Álvaro Machado - 21:36 - 08-11-2013

Alma nocturna

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Solto, à noite, o instinto
De andar por entra a sombra, perdido,
A deambular sobre o que sinto
E parece que não foi sentido…

Ando entrelaçado com a solidão alucinante
Quando passo por um velório, defronte.
Comoveu-me ver tantas almas a velar
Quando nem a minha hão-de chorar...

E por mais que eu escreva, o que serei eu?
Por mais que sinta, por mais que seja...
Tudo terá destino seu.

O decurso da vida será sempre o que aconteceu
- Cada momento, cada momento que se almeja
E quando se vê, já desapareceu.

Álvaro Machado - 00:36 - 07-11-2013

Multidões

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Quando passo por entre a multidão
Não sou eu...
É um eu cheio de solidão
Que passou e se perdeu...

Que, quando se vê cercado,
Entristece, porque não queria que fosse assim...
E, quando pensou, já a noite havia chegado,
Suspirou: «Isto não é para mim...»

Ficara um silêncio no universo imenso
Quando estas palavras se propagaram.
Mas não, ninguém sabe o que eu verdadeiramente penso
Porque nunca me encontraram.

Na multidão, por entre todos os rostos,
Volto-me; e sou invisível.
Não sei como os caminhos estão dispostos,
Não sei se o fim é acessível...

O que eu sei é que a cada passado dado
Sou outro eu e o universo é sonhado.

Álvaro Machado - 17:10 - 05-11-2013

Cismo clássico.

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Cismo! Não posso ouvir Tchaikovsky!
Não posso sair de casa, senão alucino,
Crio uma imensa ópera emblemática
E o zumbir dos carros tornar-se-á, ele mesmo, numa obra d’arte!
Não posso! Nem quero, aliás.
P’ra que irei tornar cada passo dado por transeuntes
Numa magistral e ao mesmo tempo destruidora melodia?
Ah, eles não merecem! Está tudo sem alma para a arte!
Prefiro sofrer sozinho, sob a pena da escuridão do meu quarto,
Com a janela entreaberta, o fundo clássico entrando impiedosamente na minha alma
- Que me perturba de uma maneira impossível –
E a saber ter a perfeita consciência que me dói viver…
Dói-me. Não consigo parar de me preocupar com todos os transeuntes, de sofrer com eles…
Não consigo parar de pensar no nefasto futuro!
Olha o maestro, como ele se ergue amando inteiramente a melodia,
Cismático, emblemático, apaixonante!
A apoteose chega-me agora, todos os instrumentos se misturam,
Chegámos à perfeição, à arte de todas as artes.
Levanto-me. Ergo as mãos, ajoelho-me para este homem.
O cismo é …

Ordem.

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Acorda. Hoje ainda estás aqui.
Seria pior se tivesses partido precocemente.
Precipita-te para a janela da velha casa
E vê somente os pássaros a voar.

Encanta-te. Não há nada mais sublime
Do que vislumbrar um himenópode
Defronte, naquela telha quebrada,
Cantando qualquer melodia.

Esquece então o enfado da noite passada.
Não acabes contigo, não sofras mais…
Porquê sofrer se nunca haverá nada de mudar?
O único que muda és tu: ninguém!

E hoje cruzar-te-ás por qualquer figura humana
Que esteja a varrer as folhas do Outono entristecido…
Não são as folhas que são varridas, senão almas
Há muito, neste espaço de tempo, perdidas!

Álvaro Machado – 15:10 – 04-11-2013

Eterna Metafísica

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Não tenho maneira de fugir desta condição humana
(E já o navio parte do templo)
Há uma eterna prisão dispersa entre o real e o sonho
E este pedaço de terra impossível de ser eu...

As praias em que desembarco intrigam-me imenso.
Renasce-se-me uma nova esperança ao desembarcar,
Toda a areia que ergo com a minha mão é uma eterna confusão
Que me vai escorregando da mão...

Lá, no disperso momento em que não temos direcção,
Cruzámo-nos entre árvores e animais selvagens...
O espectáculo da natureza vivido entre turistas
Ali está tão bem presenciado!...

Depois o templo. O silêncio cerrado, a devoção,
O juramento insensato, mas sentido, de todos.
Vestes que ficaram à chuva para que a alma renasça
E se erga em fogo ardente. Deus existe.

Saindo, mais intrigado, mais atónito do que antes,
Chegando à embarcação com tonturas desajustadas à compreensão,
Sento-me e reflicto, muito sozinho, o que havia passado há instantes...
(Terá sido aquilo tudo uma partida de alguém divino?)

Continuei toda a viag…

Estados d'alma

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Tenho um estado de alma diferente.
Nunca sabe o que quer, nem quando quer.
São muitas almas na mesma corrente
E o horizonte é uma névoa que me faz desaparecer.

O meu constante estado quer procurar
Um sentido que lhe diga o que, afinal, está aqui a fazer.
Continuamente, cada vez mais ébrio, para querer viver
Num lugar longínquo que esteja a brilhar.

Que tenha esse mesmo lugar
Toda a incongruência e disformidade
Que em mim mesmo inerentemente há-de estar
Se continuar a inexistir a felicidade.

Quero uma praia que um dia nasça
E outro dia se desfaça
Com a mesma verdade com que foi criada.

Quero que um dia a vida me faça
Saber me desviar da desgraça
Com a mesma plenitude da terra sonhada.

Álvaro Machado - 22:03 - 02-11-2013

Sentir demais

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Tenho em mim tanto sentir
Que não sei bem precisar,
Sou de um pequeno lugar
De caminho invulgar
Onde toda a gente quer vir.

Só que ele é, ao mesmo tempo,
Oculto lugar.
Tem que se sentir, vivenciar
O que está para além do campo
Entrar adentro dele e ali ficar.

É um mundo novo entre mãos,
Transcendente a mundos anteriores;
Qualquer um almeja as suas cores,
A extensa colectânea de corpos vãos
E todos os sentimentos, ali, são superiores

Como um Jardim do Éden diante de uma floresta
Sempre oculto a qualquer alma vulgar;
Para o espírito poder entrar
Tem que sentir demais, porque demais nunca resta:
É preciso o pequeno sentimento se amar.

Álvaro Machado – 14:40 – 02-11-2013

Pelo comboio.

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Se realmente existisse esta viagem,
Poder-se-ia declinar a rota, poderíamos ir na dianteira,
Esquecer-se que para além à margem
E viajar com a paz na alma p’ra vida inteira.

Meio sonâmbulo, meio morto,
Mas com a tranquilidade certa
Para esperar uma nova descoberta
E fugir deste mundo absorto.

Encostados ao mar,
Pertos de amar,
Feitos p’ra viver!

Com o destino a nos cruzar,
Criamos laços para depois tudo acabar.
Somos feitos de anoitecer!

Entretanto, quem vai ao meu lado
Vai estando a ler
Um livro qualquer
De um escritor consagrado.

Consagrados, porventura,
Deveríamos ser todos!
Todos poetas de uma vida dura
E todos encantados!

A meio caminho estamos indo,
Passando pela cidade nunca vencida,
Um rio inteiro correndo, o olhar caindo,
E a vida acabada de ser perdida…

Mondego que nunca te irei esquecer,
Tenho que me encontrar noutro caminho
- Muito, pouco, perto ou longe, o que houver
Será o rasto do meu pergaminho.

Hei-de ficar caído.
Com o coração partido.
E nunca à margem hei-de estar

Mais uma que caiu

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Cai e fica caída,
a folha caída.
Cai, fica esquecida,
tão esquecida pela vida.

Levanta, iludida,
levantada nunca há-de voltar.
Continuará a folha perdida
até o Outono findar.

E todos os que aqui passam,
passam, fingem, esquecem,
que um dia assim também acabam
e assim todos o merecem.

Álvaro Machado - 12h00- 31-10-2013

Inteira criação

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Mar e sol e estes codessos amarelos
Por onde sobrevoam borboletas,
A brisa passa,
O canto do rouxinol se ouve,
As nuvens permanecem,
A paz imbuí a alma...

Quero pertencer a esse lugar também,
De onde o pequeno nada é o tudo, inexplicável,
Como uma pequena folha que cai da árvore,
Simplesmente, porque é o decurso da vida,
E que é magistral poder observar,
Observar tão peculiarmente...

Mar de todos os tempos, amo ver-te, ver as tuas ondas
Batendo sobre a encosta adormecida;
Sol de todo o sistema solar, onde os teus raios iluminam a terra,
Alentas a alma de cada um de nós com esperança;
Brisa transeunte, deleite de passagem efémera...
Canto frágil e submisso de rouxinol todas as manhãs...
Nuvens que perduram à janela, azuis, cinzentas...
E para isto tudo, chamamos natureza. E paz.

Álvaro Machado - 13:55 - 27-10-2013

Mansão

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Vê que a minha casa foi derrocada
Por um qualquer vento que passou...
Tudo que tinha perdi, fiquei sem nada,
E agora não sei para onde vou...

Vê que rompeu-se o tecto e as janelas estão quebradas.
Tem em atenção que isto é o que eu sou
E não vou mudar, só porque tu me agradas.
Se fores, fui só mais um que por ti passou...

Todo o significado verdadeiro da vida,
Em mim, é a natureza.
Detém uma própria tão beleza
Que nunca a quero desaparecida...

Não quero partir.
Quero ficar.
Quebrada está, há-de continuar,
E eu não quero daqui sair...

Álvaro Machado - 15:00 - 27-10-2013

Boémio

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Não tenho porque não querer viver
Aquela vida boémia que todos viveram,
Em outros tempos, em outras circunstâncias.
Talvez embriagado saiba melhor ser eu,
Melhor me conheça, mude os hábitos, as rotinas,
Que talvez o tédio se finde e as preocupações tomem rota idêntica.

Talvez não, também; haverá sempre um senão
E o caminho será, também ele, uma eterna indecisão.
Se ouso mostrar-me nestas circunstâncias
- Em que enalteço o valor nobre do sentimento humano –
Deixai-me, pelo menos, mostrá-lo embriagado
E assim talvez custe menos, e me ache um artista…

Transcendente é o caminho que a febre leva a percorrer…
São dimensões ocultas, tão misteriosas, tão perigosas,
Que eu, meu deus, que enalteço a toda a hora a tua imagem,
Sinto-me só para poder tocar nestas dimensões,
A não ser que o meu estado seja não estar no meu estado,
E aí estarei somente no mundo meu.

Dir-me-ás tu quem escreve estas linhas sobre as margens?
O poeta vulnerável e completamente incongruente?
Ou o poeta que se manifesta…

Interceptado por Deus

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O quarto é sombrio, é pequeno.
E o sentimento que nele se cria
É prolixo, onírico, magistral.
Passa a ser a minha vida, a noite infernal
Tão assim só me queria...

Constrói-se em mim uma sensação
Que leva o universo à sua formação.
Constrói-se-me tudo enquanto tenho uma crescente loucura,
Dentro de mim circundam astros, morrem, nascem, multiplicam-se!
E se eu ousar desvanecer à próxima neblina,
Desvaneço com a poesia no meu coração.

Deste quarto nasce todo o pensamento, toda a certeza
Que o que virá no porvir será melhor.
Acabarão os pesadelos, toda aquela vileza
Que sempre esteve bem vivida, sempre bem imbuída de dor
Que ninguém entendia porquê.

Tudo é p'ra mim extensivo, cansativo, deixa-me lasso o corpo!
Deus, defronte de mim, num outro pensamento e num outro quarto
Intercepta-me, deixa-me ouvir a sua voz e fico embriagado!
Embriagado flutuo entre as dimensões todas que constituem o universo,
Transcendente, irreais, impossíveis, completamente loucas!

Tudo! No meu quarto sombri…

Raio de consciência

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Tive de rastos a consciência,
Perdida numa penumbra qualquer,
Vagueei quase até à morte, perdido,
Sem ninguém me conseguir ver.

Passei ao lado das ruas, dos passeios, de todas as coisas,
Mas ninguém estava lá, tudo havia partido,
E eu perguntara a mim mesmo para onde tinham ido
Aqueles que, agora, tinha perdido...

E entretanto, desloquei-me para aquela corrente do mar
Com a cabeça perdida, estava prestes a querer terminar...
Por uma última vez vi toda a força da natureza, voltei a suspirar,
E pensei para mim: não mereço aqui estar.

Não pertenço aqui; todos partiram.
Paris é só a desolada alma que me deram.
Onde estão todos, que não os hei-de fitar
Se sozinho é meu destino ficar...

Leonard Sagè - 22:46 - 25-10-2013

Imenso, demasiado.

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Pergunto-me qual o sentido para viver,
E o que é isto tudo. Às vezes estou disposto a esquecer
Para tentar conseguir estar aqui.
Mas tudo me dói interiormente…

Nasci com imensas almas e demasiadas perguntas.
Pedirem-me para não questionar, é pedirem-me para morrer.
Não quero viver num mundo que não acolhe os meus ideais…
Onde estão, agora, as nossas conversas à lareira?

Aquele fumo, presente no ar, alentava a alma,
Impunha-lhe uma essência tão própria
Que cheguei a crer que fosse verdade
Que vale a pena viver…

Mas o fumo, nesse mesmo instante,
Cessou entre a nossa conversa.
Passou… como nós todos temos passado,
Reduzidos a pó…

Álvaro Machado – 16:45 – 25-10-2013

irei ser sempre

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irei sempre amar
a condição do homem
- ansioso por vincar
para além dos astros que movem;
ansioso por querer ficar
neste mundo, nesta viagem...

conforme o meu coração,
que bem se adequa à ilusão,
marinheiro navegante
da deriva nunca precisa,
sempre cravejado na sensação
indecisa, dolorosa, inquietante
de nada, de ninguém, de vácuo de sim e de não...

nada. ninguém.

Álvaro Machado - 22:15 - 22-10-2013

Pranto

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Tenho calma e vontade,
Calor, frio e saudade.
Quero vir a relembrar
Aquele momento,
Que passou, já se vai,
Perdeu-se na noite de luar
Encostados ao jumento
Parecíamos estar...

Porque, sabendo bem,
A verdadeira vitória enquanto vivermos
É o talento que tem como nascente
Um rio de pureza, de magia crescente,
E sermos nós aquilo tudo, nós sermos!
Mais ninguém!
Para ser única basta fazer algo único,
Nada igual, companheiros!
Esqueçamos o pranto, os desordeiros,
O nosso hino é viver para lá disso!

Álvaro Machado - 18:03 - 21-10-2013

Aclamação

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Vida, esta vida que um homem tem como um vagabundo,
Que na fúnebre praia de onde o mar se ausenta o coração vai soluçando
Por uma brisa que acalente o gélido sentimento que por aqui anda
Sem andar e sem sentir, e nem sabe quem o manda...

Indefinido sentido quando olho para o sentido que te quero dar,
Ó vida, que sentido, que rosto, que tens em tua direcção?
Porquê todo o ser humano e todo o sentimento vão
Quando falamos em amar?

Mas o que podemos nós amar em ti, vida?
Corrompidos estão todos os transeuntes...
Desajeitados estão, todos como dantes,
Na anterior vida ditada de esquecida...

Álvaro Machado - 16:22 - 20-10-2013

Um sino qualquer...

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Saúda a morte, deixa o tempo a passar,
Que a cidade ainda está por acordar...
Bem alto, faz-te ouvir, faz-te sentir,
Como se a nossa hora esteja por vir...

As ruas que à noite me falam,
No deserto meu sentido de existir,
Nunca sabem por onde andam
As almas que ouso vestir...

E tudo na vida é dizer nunca,
Nunca de existir existindo...
Ninguém nos espera, tudo vai partindo,
Numa barca levada por qualquer vagabundo...

Álvaro Machado - 20:04 - 18-10-2013

Pequena confissão

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Sinto-me tão sozinho
Como um pôr-do-sol
Quando ninguém o está a olhar...

E dói-me tanto ser e estar assim
Que começa a anoitecer
Para lá dos navios invisíveis...

Tão triste da vida, vadio do universo!...
Não tenho ninguém para poder estar...
Poeira levantada que desvanece num instante...

E de uns tantos lugares sombrios onde o meu coração se esconde,
Aqui continuo, numa recôndita sensação esfria
Concebida p'ra minha solidão!...

Álvaro Machado - 19:12 - 14-10-2013

Diálogo estrelar

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Sabes que me sinto sozinho
Quando em minha volta a terra está árida?
O que me faz logo depois questionar,
Se será a terra ou as pessoas
Esta falta de sentimento no ar...

Sabes que esta noite deixa-me sozinho
Só entre as estrelas, únicas interpretes verdadeiras do que sinto,
É que o meu sonho continua a mover-se e a girar continuamente
Numa espécie da translação anarquista
Para o sentimento inócuo.

E sabes também que eu detenho um amor pela vida
Um tanto diferente, e talvez um tanto superior,
Do que estes alheios corações que vociferam com desejo incontido
A eternidade, a luxuria, a ostentação, a invencibilidade, o império...
Não quero ser assim, sabes?

Sei lá eu o que quero ser; sei, em todo o caso, que amo viver assim
- Com a natureza e sem regras, com a liberdade e com sentimentos,
Com o constante desejo de descortinar o segredo estagnado na noite estrelar...
Sei lá eu quem me sinto! Sei lá eu o que sou! Sei lá eu o que é tudo isto,
Toda a dimensão esta que não mo diz!

Mas sabes... eu não sou infeliz a…

Sem nada, ser nada.

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Tentar compreender
É esquecer que compreendi.
Tentar viver
É esquecer que vivi...

Tentar é não tentar
Coisa nenhuma.
É apenas imaginar
Que se tentou coisa alguma...

Se nada me faz ser
Nada eu irei querer.
Assim tudo irei ter
Se nada tiver...

São os pensamentos
Que estão frios, de mar angustiado...
Afundem-me sem ressentimentos:
Considero-me naufragado...

Álvaro Machado - 21:58 - 11-10-2013

Concebível realidade

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Sei que os sonhos detêm o que a realidade desconhece.
Por mais que na tormenta rota tomada
As interceptem figuras demoníacas oriundas do mito
Quem sonha sempre alcança.

O meu estado leva-me a descortinar talvez o impossível à percepção da realidade.
Porquê? Porquê o circundar ébrio dos planetas em minha consciência?
Porquê a irrealidade imposta e concebida como a nossa vida?
Não sei nada...

Não sei como se ama, não sei porque se ama...
Se amar nos concebe um amor eterno,
E se realmente o carente sente saudade,
Porque não nos amamos em conjunto?

A minha realidade é sonho. Sempre foi.
Tenho pouco por que me agarrar à realidade, esta de momento.
Prefiro ser sempre o deambulante poeta que viveu na cave do pensamento
E que descortinou sempre outro mundo.

Álvaro Machado - 13:56 - 10-10-2013

Miramar

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Está distante...
E nem chega a ser muito distante...
Fica na intermitência...
E nem vale a pena ter saudade,
O navio não espera por mim.
Se esperasse, ganharia fôlego...

Sou alma-miramar...
Que nem sabe quem sente...
Será destino andar perdido no alto-mar?
Ah, mas porque me ouso sequer isto perguntar?
Vale a pena viver no Outono. A brisa deixa-me a flutuar,
E ver as borboletas e os pássaros a voar
Deixam que o momento fique comovente!...

Álvaro Machado - 01:46 - 07-10-2013

Um navio de personagens

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Gostava, às vezes, de não pensar no que está à minha volta.
Quem não pensa, não tem a penumbra como horizonte,
Tem, porém, outra coisa, talvez superior, chamada inconsciência
E a janela do seu quarto é fulgente.

Quem não pensa, não vive aquelas horas de agonia
Em que até chover nos dói, ou até quando faz sol...
Não tem aquelas insónias que só nos deixam mais a sós
Do que a nossa solidão nos permite enquanto sonhámos...

Mas temos, ainda assim, que viver. Alguém tem que gostar da arte,
Criá-la, mantê-la viva, exaltar os artistas...
Por isso, eu tomo a vida com uma constante liberdade de pensamento
Que me faça roçar no outro universo paralelo deste...

E não, não estou sozinho nesta viagem. Também eu criei pequenos pensadores
Dentro de mim, para que possam estar justamente na constante busca
Do incompreensível, do longínquo segredo que arrastou gerações inteiras!
O barco leva-nos para onde calhar.

No convés vai Mister Winston, a minha recente criação,
Acompanhado de Leonard Sagè, o português perdido em Fr…

Oculto

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Sinto as movimentações da terra oculta, terra de averno,
Contrabalanço-me entre a metafísica e o submundo,
Entre a ponte que tem como direcção céu, inferno,
Deus, Satanás e eu, que não sei de onde sou oriundo…

Bizarro em todos os sentidos.
São demasiados universos de sucedâneo ao meu…
Complexo, extremamente complexo, olhar o céu
E ter por que questionar: porquê tantos mundos?

Vagueei num pequeno espaço do Botânico
Já o silêncio a cidade inteira possuía;
Ia com a alma inquieta de pensamento que não queria,
Embora sozinha desejasse ser uma estrelo a sobrevoar o Atlântico…

Álvaro Machado – 13h00 – 05-10-2013

Perguntas vãs, respostas inexistentes

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Corria o tempo; simplesmente passava…
Não sabia como, não sabia porquê,
Porém, havia lhe perguntado:
“Tempo, porque passas?
Sabes que eu não queria que passes assim?
Queria que fosses eterno, que não tivesses fim…
Assim, não me separaria de ninguém,
Assim talvez a dor menos se propagasse entre mim…”

Tão incongruentes são estas minhas perguntas
Que, na inocência de ambicionar dar de caras com o universo,
Se sente só e de estado atónito p’ra limitação que aparamente nega ter…
Tão imbecis são estes meus pensamentos da indecisão e da incerteza
Que, enquanto o céu me não responder, continuarei assim, neste impasse solitário,
A cantar a triste saudade, o triste desejo de querer conhecer mais de mim
E deste vasto universo repleto de vida que todos os dias bate à minha porta…

Álvaro Machado – 18:32 – 04-10-2013

Inconstante, irreal.

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Bebemos como se isso não nos fizesse sentir saudade.
E eu deixo-te entrar sobre a ilusão que existes e estás comigo
Num intervalo de tempo qualquer...
(Mas a vida dói-me, nada disto é real...)

E como entraste, o sentimento que me alenta a alma
Parece reluzir por uns instantes efémeros...
Entra dentro da minha casa, tanto é de um como de outro,
Só peço que avises quando dela saíres...

(Entretanto, chovia com intensidade, tanto que me fez contemplar,
E chamei-a a atenção para esse poder que a natureza tem,
Transcendente de qualquer explicação que queiram dar;
Mas ela não me ouviu, não prestou atenção a nada...)

Não adianta. O espaço que te concebi - de intemporal -
Nos não aproximou, nos não fez chegar à necessidade de ligação,
Nos não fez mais que fazer da nossa relação ridícula demais para existir...

Por isso, continuarei a beber. Tenho pouca vontade de viver,
Tenho muita mágoa para querer continuar a viver...
Chove. E a casa de chocalhos teve muita intensidade para agora se sentir só.
Derrocou num ins…

Lei Fatal.

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Sou um servo das leis fatais,
Das quais padeço sem saber porquê.
A travessia é dolorosa, não sei por onde vais,
Nem sei como a vida se vê...

É fulgente, é desfocada?
Alegra-nos, entristece-nos? O que faz?
Não sei, sou cego; não tenho amigos, nem família.
Tenho sorte por sentir o vento...

E tenho sorte por supor que o céu existe,
Que Deus nos criou, que isto mesmo se chama viver...
Parece-me que o amor também está neste mundo,
Mas ainda não o conheci...

Noite adentro, agora, e a espera é agonizante.
Continuo sem saber nada...
E o universo inteiro é uma dissimilação
Do sentimento galáctico...

Álvaro Machado - 22:56 - 02-10-2013

The Anarchist

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Anarquia! Respiro-a entre cada intervalo de tempo
Que Deus me impingiu, pois nem sequer concebido foi.
Foi impingido como um gládio doloroso pelas costas do inimigo...
Anarquia! Viva a ti, ó anarquia!

Mister Winston - 21:17 - 01-10-2013

Divino

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Tenho uma vida incompleta, mas uma luta constante
Por ideais e utopias que me alentam a alma...
Não me rejo pelas normas, como seria normal,
E a minha liberdade não está à venda.

Vivo, apenas. Vivo na irreverência.
Roço o meu sentimento no oculto deleite
Que nem Deus, nem Satanás conhecem.
Nem está disposto para ninguém...

Só meu, novo paraíso de Éden,
Ascenção onírica e ébria...
Saudade de ter uma vida decente...
Nada, ninguém...

Álvaro Machado - 21:10 - 01-10-2013

O perdão nunca perdoado

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Chove lá - do outro lado da rua imaginária -
Como se isto tudo fosse um sonho.
E eu choro. É o meu coração quem eu perscruto,
Despedaçado, sozinho, intolerado...

A todos vocês, peço perdão pelos meus pecados.
Pecados de quem aceitou a liberdade concebida como ilusão,
De quem se refugiu nela entontecendo-se para doer menos,
De quem naufragou antes do barco chegar ao porto...

«Passou a vida. Estás morto, és meu servo agora»
Disse-o uma voz que no momento a seguir sucumbiu
Num nevoeiro distante e saudoso, como aliás é todo o significado
De ter vida...

Álvaro Machado - 20:57 - 01-10-2013

Desencanto em viagem

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Caminha desencantada,
Por ali se vai deixando ir
E a sorte venha, se tiver que vir
Ou senão que se dê por terminada.

Chove na estação…
E entre os carris eu desejo estar do lado de lá,
(Talvez seja mais feliz do que cá…)
Quem mo pede é o meu coração…

E, por entre o céu cinzento,
O meu ser quer estar na praia.
Por lá me têm como barqueiro com talento
E eu não quero que isso me saia.

Álvaro Machado - 14:58 - 29-09-2013

Um fim...

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Entreguei-me precocemente ao abismo
Deixei que o descontrolo entrasse em mim
Apenas e só porque nunca tinha sofrido assim
Se não fosse tamanho o cismo!

Perdi a minha alma num recôndito sombrio
Que ainda me dói pela tamanha perdição…
O sentido que me tiraram quando deixo de estar sóbrio
É a minha grande lição…

Quem sente e escreve sobre o que sente
Não tem, por natureza, o hábito de se purificar.
Andar em cada momento a divagar
E o seu ser nunca mente.

Álvaro Machado - 00:37 - 29-09-2013

Natural.

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O mar move e o coração espanta
Porque há-de se mover.
E a alma acalma, deixa a onda correr:
Tudo vai e volta, e sempre nos encanta.

Álvaro de Magalhães – 12:53 – 28-09-2013

Lei natural

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Em viagem pelo Ártico.
O sol poisa na consciência
E eu oiço-o a sussurrar
Porque ele naturalmente está a brilhar
Com toda a sua essência.

E os frios ermos da inconsciência
São compostos por vales e abismos;
Os homens da vida se propõem a defrontar riscos
E cair abaixo é pela sua inocência…

Nenhuma alma que cobice desmedidamente
Tinha a coragem, o sacrifício, a valentia,
De, sobre um vale que a morte chamaria,
Se erguer triunfalmente.

Porque assim dita a lei natural:
O homem pertence à natureza
E sobrevive lá como um animal.
Quem vive é quem tem destreza.

Mister Winston – 12:50 – 28-09-2013

Criança

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Para lá do possível são os meus sonhos.
Pelo menos, essa é a minha convicção.
Os métodos fazem da vida uma anedota
E a estupidez faz-nos crer que não.

Ainda me sinto desrespeitado, troçado,
Como uma pequena criança que foi abandonada pelos destinados a amá-la.
E deus bem viu isso e fingiu ablepsia,
Deixando a criança ao vento da sorte...

(Ouve bem as minhas preces, é o que me resta:
Fiz por abandonar o ciclo de pessoa que, pouco a pouco,
Me foi retirando o prazer que eu tinha de viver e de sonhar;
Passei de uma mansão de boas sensações por explorar
Para uma assombrada mansarda decadente e obscura...
E o que faço, agora? O preço a pagar é a vida.)

A criança continuou, em cais perdido, eternamente.
Foi a infeliz que foi deixada e todos a deixaram ir, mesmo sabendo que não estava certo.
Haverá outra e esse é o método adoptado para a constante dor
Que se tem vindo na terra a propagar...

Álvaro Machado - 08:26 - 23-09-2013

Momento solitário

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