Falhanço eterno


Quero escrever tantas obras, penso em tantas...
Tenho tanto fel e discordância e falho sempre.
Mas porquê, destino, penso eu coisas destas
Se sei que falho sempre?

Tenho em mim saudações bem presentes de frontes
Desconhecidas fazem anos a fio. Porque me mentes?
Nem quero acreditar nesta mentira, que é verdade.
E ela passa para além da eternidade.

Falho na minha vida redondamente. Perco este barqueiro,
Que certamente levaria consigo aqueles dotes de marinheiro,
Navegador de mares agitados, homem com real destreza,
Desaparece na névoa noite cheio de pureza.

Era corsário. Inda o vejo ao longo da costa.
Coitado, preso eternamente aos mares.
Mas é feliz. Faz aquilo que gosta.
As marés são dele e ele das marés.

Assim como ele são os peixes do alto-mar
Mergulhados sobre águas profundas....
Faça luz ou escureça, são oriundas,
Deste e daquilo e doutro mar...

E como são felizes! Como acham pureza!
Cada bracejar seu é um toque mágico
Como a leveza de toque da princesa.
E meu fim o que será senão trágico?

Falho eternamente; sou impróprio de pensar...
Há em mim demasiados defeitos para descobrir,
Amor que alguma vez queira amar
Esta coisa que nunca há-de sentir!





Álvaro Machado - 19:37 - 26-09-2012

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