Folhas varridas




Vai varrendo as folhas que preenchem o passeio,
Varre-as com cuidado e ouve o vento com atenção,
Porque não sabes quando virá o frémito enleio
Do que é suposto ouvir como ilusão

Vai varrendo meu anjo as folhas que cobrem
A rua dos dois lados… Varre ou deixa-as levadas
Para o fundo de quem as ache como achadas;
E deixa-as apenas porque elas sofrem!

Continuar a varrer, de maneira peculiar,
P’ra que nada resista, p’ra que nada volte a vir…
E torna-a ermo sem nada a cair…

E é com a estrada tornada ermo que esqueço
Que varrer é tão vão como o vento espesso
Que vai levando as folhas pelo ar!...

Álvaro Machado – 20:00 – 15-11-2012

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Jorge de Sena - Uma pequenina luz bruxuleante

Desventura insensata

Assim.